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15/06/2010 - 14h34

Mês da Copa deve registrar queda de até 20% nas vendas de autos

SÃO PAULO – Até a primeira quinzena de julho, as atenções dos consumidores ainda estarão voltadas para a Copa do Mundo. Por esse motivo, muito mais do que por conta do cenário econômico, as vendas no mês do evento mundial devem registrar recuo de 15% a 20%.

A análise é do economista da Agência MSantos, Ayrton Fontes. “Essa queda é justamente por causa do clima da Copa”, diz. Ele explica que cerca de 70% das vendas, ou do início das negociações, são feitas nos finais de semana e, como o evento não tira os consumidores de casa, as vendas devem cair ainda mais.

“De maneira geral, verificamos que existe um adiamento geral das decisões de compra nessas épocas”, explica o economista. Para Fontes, a queda também se deve à antecipação das compras de carros novos ocorrida nos quatro primeiros meses do ano. No período, os consumidores correram até as lojas para aproveitar ainda o benefício do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido.

Mercado em baixa

O evento mundial prende a atenção dos consumidores, mas a queda das vendas de automóveis não se restringirá ao mês da Copa, acredita Ayrton. “Independentemente da antecipação das compras e do evento, o mercado está em queda, e o recuo vai se acentuar nos próximos meses”, avalia.

De acordo com ele, mesmo com as montadoras entrando no clima da Copa, dificilmente as vendas vão crescer. “Além das promoções pontuais, 90% dos anúncios têm as cores verde e amarelo, mas isso não influencia as vendas”, analisa.

Fontes ainda explica que mesmo ações de marketing pontuais relacionadas à Copa dificilmente tirarão os consumidores de casa, além de serem muito arriscadas para as montadoras. “O brasileiro é muito entusiasta, se o Brasil vencer, linhas especiais vão vender, se perder, o carro fica micado”, diz.

Classe C em alta

Os consumidores da classe C que estão ascendendo são os grandes responsáveis pelas vendas de automóveis hoje. “São esses consumidores que estão sustentando o mercado agora, porque a classe média e média alta está endividada”, analisa o economista.

Apesar disso, ele acredita que esse cenário não deve se sustentar por um longo período. “O mercado está mesmo em queda e mesmo as vendas para esses consumidores devem cair”, conclui.

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