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16/06/2010 - 18h02

BrT: rejeição da relação de troca é prejudicial, ao menos no curto prazo

SÃO PAULO – Os acionistas minoritários da Brasil Telecom rejeitaram nesta quarta-feira (16) a proposta de novas relações indiretas de substituição entre ações da Brasil Telecom (BRTO3, BRTO4) e Telemar (TMAR3, TMAR5). Esta seria a última etapa da reorganização societária promovida pela controladora, a Telemar Norte Leste (TNLP3, TNLP4).

Para Márcio Yamachira, analista da Gradual, era bastante difícil apostar no resultado da votação ocorrida em Assembleia Geral Extraordinária. Em sua perspectiva, a resposta do mercado é clara e certa: as ações do grupo inteiro, destaques de queda do Ibovespa nesta sessão, estão sofrendo porque a rejeição da proposta leva a capturas menores de sinergias para a companhia com benefícios fiscais que não mais serão possíveis.

Bruno Mendonça, analista do Santander, faz a mesma avaliação, e acredita que, ao menos no curto prazo, o fato é negativo para as ações da Brasil Telecom. Além das sinergias que deixarão de ser capturadas, existe o custo que continuará a existir para a manutenção das ações da companhia listada em bolsa.

Estrutura societária

Além disso, a simplificação da estrutura societária do grupo, um dos grandes problemas do caso de investimento na Telemar, avalia Mendonça, fica ainda mais complexa do que já era. A ideia inicial, embora nunca tenha sido oficializada, era posteriormente convergir TNLP e TMAR e diminuir o número de camadas da empresa.

Para Bruno, embora a rejeição dificulte esse próximo passo, não elimina a possibilidade, que deixaria a BrT de fora da entidade. No entanto, o mesmo entrave pelo qual a administração da companhia nunca simplificou sua estrutura se mantém: “eles não querem perder o controle”. Atualmente, a controladora tem mais de 50% das ações ON da holding. No entanto, essa estruturação poderia levar a Telemar a um controle mais difuso sobre a empresa. 

Para o Deutsche Bank, em relatório assinado por Rizwan Ali e Miguel Garcia, as implicações da posição dos minoritários são negativas para todas as ações do grupo “porque a simplificação da estrutura será agora postergada por um período mínimo de seis a 12 meses”. A instituição aponta ainda como um dos principais entraves para a performance da Telemar a complexa estrutura acionária da companhia.

Possível solução

Por outro lado, o Deutsche Bank surge com uma possibilidade de resolução do conflito que não havia sido levantada pelos outros analistas: a contratação de um banco independente para uma nova análise e posteriormente um fator de conversão que tenha maiores chances de ser aprovado.

Pelo lado operacional, no entanto, a Telemar já havia sinalizado que caso a relação de troca não fosse aceita, alguns custos seriam transferidos da Telemar para a Brasil Telecom, já que a empresa anteriormente contava com a BrT como subsidiária integral, e não parcial.

“Vão alavancar a empresa”, acredita Bruno Mendonça, do Santander. Por outro lado, a performance operacional, embora afetada pelas sinergias fiscais perdidas, não será prejudicada, avalia. Por isso, o analista destaca a visão de longo prazo dos acionistas que votaram contra a proposta. "São acionistas que demonstraram confiança na empresa no longo prazo, já que acreditam que as perdas agora serão recompensadas em algum ponto", diz Mendonça.

Posicionamento

Nesse caso, Márcio Yamachira, da Gradual, acredita que o posicionamento nas ações ordinárias da holding é o melhor veículo de investimento na Telemar no momento. As ações oferecem 80% de tag-along e podem ser beneficiadas com o atual momento do setor de telecomunicações, bastante sujeito a consolidações. Especula-se, por exemplo, que a Portugal Telecom poderia ter interesse na companhia caso venda sua participação na Brasilcel, controladora da Vivo (VIVO4), para a Telefónica.

A Brascan, em relatório assinado pela analista Beatriz Battelli, também aponta as ações da holding como preferência, em função das incertezas em relação aos outros ativos do grupo. Embora acredite que a notícia seja negativa, a corretora minimiza o impacto da rejeição, ao afirmar que a empresa deverá apresentar melhores resultados em 2010, refletindo ganhos de sinergias que podem chegar R$ 1 bilhão.

O preço-alvo para TNLP4 é de R$ 53,73, aponta a Brascan. Por isso, apesar da rejeição, a corretora salienta o valuation ainda bastante atrativo da companhia.

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