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29/06/2010 - 15h15

Ações ordinárias da AES Tietê mantêm a preferência dos analistas em junho

SÃO PAULO -  Pela quinta vez desde que teve início a compilação elaborada pela InfoMoney - em fevereiro de 2007 -, as ações ordinárias da AES Tietê (GETI3) conseguiram a preferência dos analistas em junho, de acordo com o MCI (índice de consenso de mercado). O indicador, que compila a análise de 24 corretoras e bancos de investimento, atribuiu a nota 4,75 aos ativos da AES, refletindo principalmente as boas perspectivas para o setor elétrico no Brasil.

Para uma melhor interpretação do MCI, é sempre importante considerar o número de avaliações atribuídas a cada ativo. Uma maior quantidade de opiniões tende a tornar mais robusta a sugestão. Neste caso especificamente, vale ressaltar que os papéis da AES Tietê receberam uma recomendação a mais do que o limite mínimo para ser considerado dentro da metodologia do indicador: três sugestões.

Outro ponto importante do indicador é que ele considera os princípios de análise fundamentalista, sendo, portanto, mais recomendado para investidores que atuam com foco no longo prazo.

Quinta vez na liderança Em linhas gerais, as boas perspectivas para o setor elétrico influenciaram as recomendações aos papéis da AES Tietê no sexto mês deste ano. Conhecida como um forte player defensivo, a empresa foi incluída no universo de cobertura da Planner, com recomendação de compra e preço justo de R$ 24,29 por ação.

Ricardo Tadeu Martins e Rafael Andreata, analistas da corretora, destacaram a previsibilidade do fluxo de caixa da empresa, que tem sua demanda de energia garantida até 2015 e um baixo endividamento. "Estes elementos tornam a empresa uma opção defensiva no setor, com baixos riscos em sua operação", avaliam.

Os analistas também chamaram atenção para o fato da principal fonte de receita da empresa ser corrigida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado). Tendo isto em mente, e em face da recente aceleração da inflação ocorrida neste ano, eles dizem esperar "um bom ajuste no próximo mês de julho", o que deve se traduzir em maiores receitas no segundo semestre, contribuindo, por fim, para um bom resultado em 2010.

Além disso, o histórico de pagamento de dividendos da empresa segue animando os analistas: nos últimos anos, a AES Tietê tem consistentemente distribuído 100% de seu lucro líquido em forma de dividendos para seus acionistas. "Dada sua boa posição de caixa e baixo endividamento, consideramos que essa política não será alterada", explicam Martins e Andreata, que projetam um dividend yield de 11,0% para os papéis neste ano.

Com um olhar pouco mais negativo, de modo geral, a equipe do BTG Pactual se mostrou cautelosa com o setor, citando o aumento da taxa de juros no País e os sinais decepcionantes dos preços de geração. Mesmo assim, a recomendação do banco para a AES Tietê se manteve positiva, com os analistas sugerindo compra dos papéis. 

Em relatório assinado por Gustavo Gattass, Antonio Junqueira e Rafael Fonseca, o BTG sustenta que desde o início do ano o cenário tem sido positivo - com aumento forte no volume e a questão regulatória praticamente inalterada - mas apesar disso os resultados trimestrais não conseguiram impressionar. "Dada a demanda vista, os resultados deveriam ter vindo acima das expectativas. Mas não vieram", observam.

Cabe mencionar que, em maio, as ações ordinárias da AES Tietê haviam recebido apenas três recomendações no MCI InfoMoney, atingindo nota máxima (5,00 pontos). Contudo, neste mês, os papéis foram sugeridos por quatro corretoras e bancos, sem um consenso positivo, o que levou a nota da ação à 4,75 pontos - ainda sim, liderando o ranking de junho.

As mais recomendadas
Ação MCI Avaliações
AES Tietê ON 4,75 4
UOL PN 4,67 3

American BankNote ON 4,58 6
Brookfield ON 4,50 7
Vale ON 4,47 9
Petrobras ON 4,46 8
Marfrig ON 4,40 10
Cyrela ON 4,40 13
Petrobras PN 4,38 14
Cia. Hering ON 4,38 4
Setor de tecnologia assume vice-liderança

Assumindo o segundo lugar no MCI, os papéis da UOL também se beneficiam do cenário positivo ao setor. Os papéis da empresa receberam três recomendações em junho - nota mínima exigida para ingressar no indicador -, depois de alguns meses esquecidos.

Em entrevista recente ao portal InfoMoney, o analista Raphael Cordeiro, da Omar Camargo, explicou o motivo de as corretoras não recomendam frequentemente as ações de tecnologia. Segundo Cordeiro, os fatores que mais influenciam outros analistas a não recomendarem ações do segmento são a restrita liquidez dos papéis e as baixas margens das companhias.

A despeito dos pontos positivos e negativos no investimento em papéis do setor de tecnologia, uma particularidade importante que deve ser levada em consideração pelos investidores são as especificidades de cada companhia, de acordo com a Omar.

Para a UOL, mesmo sendo mais próxima das empresas de software, Cordeiro destacou que a empresa seria favorecida no setor por conseguir capturar o crescimento e maior poder de acesso à Internet da classe C.

American BankNote cai para o terceiro lugar

A ação da American BankNote caiu para o terceiro lugar do MCI em junho, depois de ter figurado no topo do ranking em maio, ao lado da AES Tietê. Para a companhia, as recomendações deste mês podem ter sido influenciadas pelo fluxo de indicadores do setor industrial. 

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou recentemente a Sondagem Industrial de maio. De acordo com a pesquisa, a evolução da produção marcou 54,9 pontos no mês, acima da linha divisória de 50 pontos. Cabe ressaltar que valores acima desse patamar indicam aumento da produção.

Apesar da alta no nível de produção na comparação com abril, o indicador mostrou que a UCI (Utilização da Capacidade Instalada) efetiva ficou de acordo com o usual para os meses de maio, em 50,3 pontos.

Da mesma forma, a pesquisa da CNI mostrou que o estoque efetivo ficou próximo ao planejado, com o indicador marcando 49,7 pontos. "Os estoques mantêm-se próximos ao nível planejado desde janeiro de 2010, o que mostra que a produção tem sido capaz de acompanhar a evolução da demanda", avaliou a CNI.

Em meio a este cenário, o otimismo do empresário industrial ficou praticamente estável no sexto mês do ano, passando de 66,3 pontos em maio para 66 pontos em junho, segundo o Icei (Índice de Confiança do Empresário) divulgado também pela CNI. Apesar da leve queda, de 0,3 ponto, o índice permaneceu 6,8 pontos acima da média histórica, de 59,2 pontos.

O que é o MCI?

O Market Consensus Indicator (MCI) tem como principal objetivo facilitar as decisões de investimento dos usuários do site no mercado de ações. Considerando uma amostra com informações e projeções de diversos bancos de investimento e corretoras, o benchmark busca trazer um indicador de consenso entre os analistas de mercado a respeito das recomendações de uma determinada ação.

Variando em uma escala de 0 (venda forte) a 5 (compra forte), o indicador é calculado a partir das recomendações dos analistas consultados, trazendo um resumo do consenso. É importante destacar que o MCI é calculado apenas para ações com ao menos três recomendações de analistas distintos.

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