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01/07/2010 - 10h03

Cartões: compartilhamento das máquinas deve impactar consumidor só a longo prazo

SÃO PAULO – A partir desta quinta-feira (1), os estabelecimentos comerciais podem utilizar apenas uma máquina de cartão de crédito para aceitar diversas bandeiras da moeda de plástico. Para os lojistas, a unificação gera redução dos custos de manutenção dos terminais. Para os consumidores, em um primeiro momento, contudo, pouco muda, na opinião dos órgãos de defesa do consumidor.

Para Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudos e Defesa das Relações de Consumo), Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) e Pro Teste - Associação dos Consumidores, o compartilhamento das máquinas é um primeiro passo para as mudanças que devem ocorrer no setor de cartões de crédito. Porém, a medida tem pouco impacto para os consumidores, ao menos, por enquanto.

“A unificação pode gerar menores preços aos consumidores a médio e longo prazo”, espera a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci. “Agora, não muda muita coisa”, diz. “Para o consumidor, a unificação só garante a facilidade de poder passar qualquer cartão”, acredita o diretor-presidente do Ibedec, Geraldo Tardin. “Mudaria algo se essa redução do custo do aluguel das máquinas fosse repassada para os consumidores, o que não acredito que aconteça”, afirma.

Para a economista do Idec Ione Amorim, a unificação dos terminais, de início, pode ampliar o número de cartões que circula no comércio. “A médio prazo, essa medida pode descentralizar o setor de cartões”, diz. “Mas, imediatamente, não gera mudanças para os consumidores”, ressalta.

Mudanças a longo prazo

Os representantes dos órgãos de defesa do consumidor afirmam que a proposta pode promover a descentralização das bandeiras – situação que, a longo prazo, também deve beneficiar os consumidores. “Agora, existe um estímulo para outras bandeiras entrarem nesse mercado”, afirma Ione. “Isso favorecerá a concorrência desde que essas empresas tragam vantagens para os consumidores”.

Tardin é descrente nesse ponto. “Esse mercado é altamente centralizado e isso só vai mudar se o Governo fizer uma intervenção através dos bancos públicos”, afirma. “O Governo deve abrir esse setor, só assim os custos cairão mesmo para os lojistas. Mesmo assim, não acredito que eles repassarão essa queda”, completa.

Apesar de todas as questões que ainda pairam sobre o setor de cartões, Maria Inês vê com bons olhos a unificação. “É um primeiro passo para a organização do setor”, diz. Para ela, este é o momento ideal para que os consumidores passem a cobrar preços justos, principalmente quando ele verificar que a loja pratica a diferenciação de preços – conduta considerada abusiva pelo órgão de defesa do consumidor.

Fique de olho

Embora a unificação deva alterar pouco a rotina dos consumidores, os órgãos alertam para alguns possíveis problemas que a unificação das máquinas pode trazer em um primeiro momento. “A loja deve aceitar o cartão dele, mas, se isso não acontecer, o consumidor deve questionar”, ressalta Ione.

“De modo geral, os consumidores ainda encontrarão várias máquinas nos estabelecimentos, pois alguns lojistas não devem se desfazer de todas de imediato, pois há risco de um colapso no novo sistema”, avisa a economista.

Maria Inês sugere que o consumidor reforce os cuidados com a utilização dos cartões. “Verifique se o lojista colocou a função certa, se débito ou crédito”. Contudo, ela espera que não ocorram problemas que possam prejudicar os consumidores. “Esperamos que o comércio esteja preparado”, diz.

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