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01/07/2010 - 07h55

Comércio dá boas-vindas às mudanças no setor de cartões de crédito

SÃO PAULO – Duas importantes mudanças no setor de cartões de crédito entram em vigor nesta quinta-feira (1). A primeira aumenta diretamente a concorrência no setor, enquanto a segunda torna mais prática a vida do lojista e reduz seus custos. Ambas têm sido recebidas positivamente pelos representantes do comércio.

A assessora econômica da Fecomercio, Fernanda Della Rosa, explica detalhadamente o que muda. O principal, fim da exclusividade, acaba com o monopólio dos credenciadores. Segundo ela, hoje o comerciante não fala diretamente com a administradora (bandeira) do cartão de crédito, mas com o credenciador, que é o que oferece o serviço da administradora.

“Até então, tínhamos a Cielo (Visanet) como credenciadora da bandeira Visa e a Redecard, da Mastercard. Com a aprovação do PL 680, o credenciador pode trabalhar com várias bandeiras”, conta Fernanda. “Também, a partir de agora, podem entrar no mercado novos credenciadores”.

A redução da taxa paga pelo comerciante em cada transação pode vir a ser reduzida, porque o fim da exclusividade traz ao setor espaço maior de negociação. “O que o lojista paga hoje como taxa do cartão de crédito, um percentual do faturamento das vendas com cartão, parte é paga ao credenciador e metade é repassada à administradora (bandeira). Na taxa que diz respeito ao credenciador deve haver queda, porque haverá competitividade. Eles [credenciadores] podem tentar oferecer às empresas as melhores condições para conquistar o cliente”, explicou. “E essa concorrência não existia antes”, concluiu Fernanda.

Uma máquina só

A outra mudança bem recebida pelo comércio é a unificação das máquinas que operam o cartão de crédito. Algumas já eram flexibilizadas e, agora, a mesma poderá atingir várias bandeiras.

“Hoje o comerciante, às vezes, tem fila em uma maquineta e a outra está vazia. Com a unificação, o comércio de pequeno porte pode reduzir de imediato o número (e o aluguel pago) de várias maquinetas. Já o de grande porte, mesmo se não quiser diminuir a quantidade de máquinas, vai ganhar em agilidade no atendimento ao consumidor”, declarou o economista da ACSP, Marcel Solimeo.

Para ele, o comerciante poderá fazer o uso das máquinas de maneira mais racional, o que sempre gera um ganho econômico.

E o consumidor?

Já em relação ao consumidor, Solimeo afirma que pode demorar um pouco até que a redução dos custos dos comerciantes reflita em diminuição dos preços finais. “Não é de imediato. Apesar do anúncio de novas bandeiras entrando no mercado, é preciso atingir uma massa crítica. O que antes era um duopólio passará a acompanhar as regras de mercado, mas não é algo instantâneo”, comentou.

De qualquer forma, o caminho tomado é bom. “Aguardaremos para ver o impacto disso, mas o processo leva um tempo”, concluiu.

Liberdade

O presidente da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas), Roque Pellizzaro Jr., declarou em nota que, a partir desta quinta-feira o comércio teria “uma verdadeira 'Lei Áurea', que nos libertará dos grilhões do monopólio que existia nesta indústria e que trouxe enormes distorções e custos ao comércio e ao consumidor brasileiros”.

Pellizzaro lembrou que mais de 95% do mercado está nas mãos de duas bandeiras (Mastercard e Visa), que eram vinculadas a dois credenciadores (Redecard e Cielo). “O que nos obrigava a pagar dois aluguéis de equipamentos e taxas de desconto abusivas, geradas pela impossibilidade que tínhamos de optar por uma ou por outra dessas credenciadoras”, declarou. “Agora isso mudou. Podemos optar por uma ou outra dessas máquinas ou credenciadoras”, finalizou.

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