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08/07/2010 - 11h53

Julho: deterioração do cenário externo deve manter Ibovespa sob pressão

SÃO PAULO - Depois de mais um mês negativo, o Ibovespa encerra o seu primeiro semestre com uma queda de 11,16%, longe de recordes de pontuação e sem perspectivas animadoras de reversão deste desempenho. Com este cenário em mãos, a receita dos estrategistas parece soar a mesma nota: aumento da segurança e redução da exposição às commodities. 

"Conforme destacamos nos últimos relatórios, o fluxo negativo de notícias vindo da Europa contaminou todos os mercados, elevando a aversão ao risco e reduzindo o apetite dos investidores focados em trading de curto prazo", explica Mônica Araújo, da corretora Ativa. Ela aponta para iminência de uma revisão para baixo do crescimento mundial, uma vez que a China, apontada como a locomotiva do mundo para fora da recessão, também começa a apresentar uma desaceleração de sua expansão econômica. 

"Todo esse cenário indica menor demanda por commodities e consequentemente queda no preço em dólar no mercado internacional", explica Mõnica. Lika Takahashi, analista do Banco Fator, vai além, afirmando, em relatório, que "a questão traz dúvidas sobre a taxa de crescimento dos lucros corporativos e a precificação correta dos ativos. Para as ações, o prêmio de risco deve ser maior pelo simples fato de que os governos gastaram todas as munições: não há como reduzir as taxas de juros e mais estímulos fiscais está fora de questão". 

Reversão? Não agora

"A esperança é o derradeiro mal; é o pior dos males, porquanto prolonga o tormento", diz a epígrafe do referido relatório do Banco Fator, uma citação de Nietzsche. De fato, analistas afastaram a possibilidade de um início de reversão já neste mês. "Nossa percepção para julho é de contínua sensibilidade à zona do Euro, já que há ratings a serem rebaixados, tanto de países, como de instituições financeiras e isso o mercado sabe, mas ainda não precificou", escreve o analista da Planner, Ricardo Tadeu Martins. 

"Não se pode esperar mudança significativa da tendência de preço no mercado de equities" aponta,  Mônica Araújo, visto a "exposição do Ibovespa a empresas ligadas a commodities, podemos esperar um ajuste negativo nessas empresas no curto prazo, prejudicando a recuperação da tendência de alta para equities no Brasil" 

Ela recomenda alocação em setores que estão recebendo elevados investimentos, como o setor de infraestrutura e "todo aquele que se beneficia da renda e trabalho", sempre com um horizonte de retorno mais distante. 



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