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16/07/2010 - 14h15

Cenário exige que crianças saibam desde cedo o que é o mercado de ações

SÃO PAULO – Educar financeiramente os filhos não é tarefa fácil. Por isso, muitos pais começam com os conceitos mais simples, como o que é o dinheiro, o cartão de crédito, como funciona uma compra, mas deixam de lado o mundo dos investimentos, principalmente o mercado de ações, por pensar que esse é um assunto muito complicado para os pequenos.

Essa até poderia ser a realidade quando os adultos de hoje eram crianças. Mas o cenário econômico mudou e exige que as crianças amadureçam mais cedo quando o assunto é dinheiro.

“Em um cenário econômico de alta inflação e de taxa de juro muito alta, as preocupações são mais simples. Você não tem tanto espaço para pensar em investir”, explicou a superintendente de Sustentabilidade do Itaú, Denise Hills. “Em um país com economia mais estável, o grande diferencial é saber sobre endividamento e fazer projetos de longo prazo”, completou.

A de ação, B de bolsa, C de capitalização...

De acordo com Denise, no passado, o mercado de ações era pequeno no Brasil, uma vez que o cenário econômico não permitia que as pessoas pensassem no longo prazo. “Em qualquer país que tem uma estabilidade econômica há mais tempo, porém, o investimento em ações é tão comum quanto o conceito de investimento em poupança”, afirmou.

E é neste sentido que é preciso ensinar desde cedo o que é o mercado de ações para os filhos. “Quando se é criança, o conceito de tempo começa a ser estimulado. E o dinheiro faz parte da vida das pessoas. Quanto mais souber lidar com ele, menos as crianças serão reféns do dinheiro”, destacou a superintendente.

Por isso, é preciso explicar o que é uma ação – que é como uma parte de uma empresa que a pessoa está comprando – como se paga por uma ação, o que é o rendimento e também passar para as crianças o conceito de risco. “É preciso desmistificar que o mercado de ações é como um jogo que você não conhece as regras”, ponderou.

Se você pensa que as crianças não se interessam no assunto, saiba que, em junho deste ano, havia 2.153 contas na bolsa de valores de pessoas com até 15 anos de idade, sendo a maioria do sexo masculino (1.309). No total, eles tinham aplicados, no mês passado, cerca de R$ 40 milhões.

Quando tudo vira brincadeira

E a melhor forma de passar esses conceitos para as crianças é por meio da diversão. O Banco Imobiliário, brinquedo que existe no Brasil desde 1944, lançou na quinta-feira (15) uma nova versão que inclui empresas e torna possível para as famílias falar um pouco mais sobre o mercado acionário.

Uma das jogadas mais lucrativas da brincadeira é a compra de uma companhia. Antes, as disponíveis eram dos setores de navegação, aviação, viação ou ferroviária. Agora, as empresas de transporte foram substituídas por companhias de verdade, pelas marcas Vivo, Itaú, TAM Viagens, Nívea, Ipiranga e Fiat.

“O jogo, em si, é uma ferramenta de sociabilização. Através dele, a criança pode crescer e aprender vários quesitos, como a disciplina, a ganhar e a perder ou a regra de se posicionar no momento adequado. E os jogos que funcionam com questões financeiras os ajudam a ter noção de como usar o dinheiro, o que é importantíssimo para o futuro”, ressaltou o diretor de Marketing da Estrela, Aires Leal Fernandes.

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