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19/07/2010 - 12h52

Crédito: consumidores só sentirão impactos da elevação da Selic em 2011

SÃO PAULO – Os consumidores tomadores de crédito só sentirão as elevações da taxa básica de juros (Selic) no início do próximo ano.

“O objetivo da elevação da Selic é a desaceleração do crédito”, explica o economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo. “Com o aumento, o crédito fica mais caro e o custo derruba a demanda”, explica. Com a expectativa de elevação de mais 0,75 p.p. nesta semana, com a taxa saindo de 10,25% ao ano para 11% ao ano, os impactos devem ser ainda maiores no crédito ao consumidor, mas a médio e longo prazo.

De acordo com Solimeo, nos últimos dois anos, o volume de crédito ofertado ao consumidor registrou aumento de cerca de 25% e continua crescendo. “Esse aumento decorre do aumento da demanda, pelo crescimento da economia e da renda dos consumidores”, afirma o economista.

A maior oferta de crédito, na avaliação de Solimeo, é um bom negócio para os bancos, mesmo em tempos de desaquecimento. “Os bancos consideram o crédito pessoal um nicho muito grande pela rentabilidade”, explica. Esse nicho, lembra o economista, aumentou nos últimos anos, já que entre 2007 e 2009, cerca de 30 milhões de brasileiros entraram no universo do consumo e passaram a ter acesso ao crédito.

Procura por crédito

De acordo com os últimos dados da Serasa Experian, entre janeiro e junho, a demanda por crédito do consumidor registrou aumento de 16,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Para o economista da ACSP, contudo, esse cenário não deve se manter por muito tempo e haverá quedas ainda neste ano na procura por crédito. “A queda é um reflexo natural da antecipação do consumo”, avalia Solimeo. Entre o último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano, os consumidores efetuaram compras além do esperado, aproveitando ainda os incentivos fiscais concedidos pelo Governo.

Com isso, agora, o momento é de menor consumo. “E na medida em que há uma desaceleração do consumo, há uma desaceleração da procura por crédito”, explica o economista. 

Para Solimeo, a previsão é que tanto a demanda como a oferta de crédito crescerão daqui para frente, porém, em ritmo bem menor que o verificado hoje.

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