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19/07/2010 - 18h05

Vivo: falta de desfecho é negativa, mas pode indicar oportunidade de entrada

SÃO PAULO - A Telefónica optou por não ampliar o prazo da oferta de € 7,15 bilhões pelos 30% que a Portugal Telecom detém no capital da Vivo (VIVO4). Em comunicado enviado à Comissão Nacional de Mercado de Valores da Espanha, a empresa declarou que "ao saber que o conselho de administração da Portugal Telecom não aceitou a referida oferta no prazo fixado, a mesma se tornou extinta". 

O Conselho de Administração da companhia portuguesa, após declarar que não havia tempo hábil para tomar uma decisão até o dia 16 julho, havia solicitado formalmente à Telefónica "uma extensão definitiva do prazo de validade da oferta" até 28 de julho, "com vista a permitir continuar a trabalhar para alcançar uma solução positiva" nas negociações, que de acordo com a PT, "decorreram de uma forma construtiva".

Pode não ser o fim da história

Para o JPMorgan, em análise de Andre Baggio, Rajneesh Jhawar e Anna Daher, esse pode ainda não ser o fim da história, especialmente porque a Portugal Telecom demonstrou estar ainda aberta a analisar a oferta e a Telefónica poderia, assim, negociar uma nova solução. 

A Link concorda, de acordo com o relatório assinado por Maria Tereza Azevedo. "Sem dúvida alguma o grupo espanhol não desistiu da aquisição da Vivo, apesar da conclusão frustrada do processo de negociação", aponta a corretora. A expectativa, agora, é de que a Telefónica recorra à justiça holandesa para dissolver a Brasilcel e assim adquirir posição majoritária através da aquisição de papéis da Vivo no mercado. 

Com o ágio superior a 100% sobre o preço de mercado, aponta a Link, dificilmente a Telefónica encontraria resistência dos minoritários neste cenário. Tanto para a corretora quanto para o JPMorgan, o impacto no curto prazo é negativo.  

Múltiplos atrativos e resultado corporativo

No entanto, o banco lembra que isso pode ocasionar um bom ponto de entrada, se houver correção do valor das ações da Vivo nas próximas sessões, dado que os múltiplos já se encontram em patamares atrativos, formando assim um upside potencial mais alto. Além disso, existe a expectativa pelo resultado referente ao segundo trimestre de 2010, que será publicado no dia 28 de julho. 

O JPMorgan espera um balanço com números "relativamente positivos", com aceleração da receita com serviços e também crescimento do Ebitda (geração operacional de caixa). Por causa disso, o banco também recomenda que os investidores prestem mais atenção aos fundamentos da empresa.

"Agora que a oferta expirou, esperamos que a Vivo seja negociada baseada em fundamentos, e não em cima da expectativa por uma potencial aquisição". A recomendação, portanto, foi mantida como overweight (retorno superior à média do universo de cobertura do analistas nos próximos seis a doze meses), baseado em margens sólidas, crescimento razoável e forte geração de caixa. 

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