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20/07/2010 - 07h22

Para Barclays, resultados do Itaú Unibanco devem se destacar no setor

SÃO PAULO – Na expectativa pela temporada de resultados dos bancos brasileiros – que será inaugurada na próxima semana, com os números do Bradesco e Santander – o Barclays Capital revelou suas estimativas para as principais instituições financeiras dentro do seu universo de cobertura. Os destaques, segundo os analistas, devem ser os balanços do Itaú Unibanco e Banrisul.

Antes de traçarem suas perspectivas para os bancos do País, os analistas Roberto Attuch e Fabio Zagatti, que assinam o relatório, fazem uma observação: “notamos que as estimativas do consenso dos analistas parecem estar um pouco diferente das nossas – mais positivas para o Itaú Unibanco e mais negativas no caso de Banco do Brasil e Bradesco”.

Itaú Unibanco

Para Attuch e Zagatti, o banco deve registrar resultados “sólidos” no segundo trimestre do ano, apoiados em melhora da qualidade de ativos e maior geração de receitas com juros. Segundo os analistas, esses fatores devem mais do que compensar a evolução “contida” de despesas operacionais, que devem avançar 5% na comparação anual.

O Barclays projeta que o Itaú Unibanco (ITUB4) reporte lucro líquido recorrente de R$ 3,047 bilhões no trimestre – que representa um avanço de cerca de 25% frente aos R$ 2,429 bilhões vistos no mesmo período do ano anterior. “Na comparação trimestral, destacamos a evolução dos ganhos líquidos com juros, que saem de uma base baixa nos primeiros três meses do ano, apesar de esperarmos que as receitas com empréstimos tenham se expandido em linha com o crescimento do portfólio de empréstimos – alta de 4% na base trimestral”, escrevem os analistas.

Vale lembrar que as ações do Itaú Unibanco recebem recomendação overweight (desempenho acima da média do mercado), com target de R$ 45 por papel - um upside de 22% sobre o fechamento desta segunda-feira (19). O balanço do banco é esperado para dia 3 de agosto.

Bradesco

O primeiro entre os grandes a reportar seus números trimestrais, o Barclays projeta que o Bradesco (BBDC4) registre lucro líquido recorrente de R$ 2,2 bilhões no período – um progresso mais forte do que o do Itaú Unibanco na base trimestral, mas mais lento na base anual (avanço de 17%). O segmento de seguros deve ser um dos destaques positivos do desempenho, enquanto a alta das despesas operacionais, de 10% na comparação anual, pode trazer desvantagens ao banco.

Na visão de Attuch e Zagatti, o portfólio de empréstimos deve registrar crescimento de 4% no 2T10, “em linha com a indústria e com os maiores lucros com taxas”. “Apesar disso, notamos que as provisões de perdas com empréstimos parecem estar avançando frente ao baixíssimo nível visto nos primeiros três meses do ano, mas não esperamos que a qualidade dos ativos se deteriore”, afirmam.

O Bradesco deve reportar seus números do trimestre em 28 de julho. A recomendação do Barclays é equal-wight (desempenho em linha com o mercado), com um preço-alvo de R$ 38 por ação, upside de 28,9% sobre o último fechamento.

Banco do Brasil

Já os números do Banco do Brasil (BBAS3), esperados para dia 12 de agosto, não devem mostrar melhor – ou piora – no trimestre, com um lucro líquido recorrente de R$ 2,1 bilhões. “Frisamos que os resultados do 2T10 não são comparáveis em base anual, já que o Banco Votorantim ainda não fazia parte do grupo, e não incorporam o efeito da recente oferta de ações”, escrevem os analistas.

Os analistas projetam um crescimento de 3% na carteira de empréstimos do BB, um pouco abaixo da média dos bancos privados. Além disso, a expectativa é de que as despesas operacionais tenham seguido contidas.

As ações do BB têm recomendação overweight, com target de R$ 39 - upside de 38,3% sobre a cotação de fechamento de segunda-feira.

Santander

Último entre os grandes bancos a ser analisado pelo Barclays, o Santander (SANB11) deve divulgar seu balanço trimestral em 29 de julho. Para Attuch e Zagatti, o banco irá reportar R$ 1,7 bilhão em lucro líquido recorrente – valor baseado em estimativas em BRGAAP e ajustado pela amortização de taxas de despesas com pessoal e administrativas ocorrida no trimestre. “Mesmo usando modelos diferentes, percebemos que nossas estimativas estão abaixo do consenso do mercado”, explicam.

Para os analistas, os destaques do resultado do banco devem ser o crescimento dos empréstimos e a evolução dos ganhos líquidos com juros. “Apesar de esperarmos um baixo crescimento orgânico dos empréstimos, percebemos que há um risco para cima em nossos números”, afirma o Barclays.

Assim como no BB, cabe uma ressalva aos resultados do Santander: os números não podem devem ser comparados ao mesmo trimestre do ano anterior, já que a estrutura de negócios do banco ainda não estava implementada no Brasil, e a vantagem fiscal vista neste trimestre também não afetou o balanço do banco.

As units do Santander Brasil recebem recomendação equal-weight, com preço-alvo de R$ 24 – um upside de 13,4% sobre o fechamento desta segunda-feira.

Banrisul

Além dos grandes bancos, o Barclays também revela suas expectativas para os números do Banrisul (BRSR6) – que, em sua visão, deve ser o destaque entre as instituições de pequeno e médio porte.

A projeção é de que o lucro recorrente do banco atinja R$ 156 milhões, uma “sólida evolução frente ao trimestre anterior”. Além disso, Attuch e Zagatti ainda ressaltam que as provisões de perdas com empréstimos devem recuar no trimestre. As ações do banco recebem recomendação overweight, com target de R$ 20, um upside de 38% sobre o último fechamento. Os números são esperados para 11 de agosto.

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