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20/07/2010 - 18h15

Selic x investimentos: o que deve fazer quem está na renda fixa e na variável?

SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) se reúne a partir desta terça-feira (20) para definir a nova Selic (taxa básica de juro), que está em 10,25% ao ano. As expectativas são de alta e, diante disso, qual deve ser o movimento do investidor?

Para o estrategista da Futura Investimentos, Adriano Moreno, a taxa básica de juro deve sofrer uma elevação de 0,75 ponto percentual e o ciclo de alta não deve parar por aí. No entanto, em sua opinião, a Selic não deve ser preocupação para o investidor brasileiro.

O que deve acontecer é um pequeno ganho a quem tem dinheiro em fundos, inclusive nos pré-fixados, que normalmente alocam recursos para títulos públicos pós-fixados, que rendem mais com a alta da Selic. Já em relação à renda variável, ele afirmou que o investidor deve manter suas posições, uma vez que a bolsa de valores não deve ser afetada pela alta do juro básico, já que tem recebido influência do cenário internacional.

Renda fixa A professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) Myrian Lund disse que o mercado está dividido sobre qual vai ser o movimento da taxa básica de juro, já que houve uma parada no aumento da inflação. “Mas como a política monetária no Brasil é conservadora, então, o Copom ainda vai dar um aumento no juro”. Ela acredita que a elevação deve ser entre 0,5 e 0,75 ponto percentual.

Para quem está em fundos de renda fixa, ela aconselha que fique no pré-fixado, já que o movimento de alta da Selic deve ter fim na reunião deste mês e, depois disso, haverá queda. “No Tesouro Direto, compre títulos pré-fixados”, ressaltou.

São eles as LTNs (Letras do Tesouro Nacional) e as NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional – Série F). Nestes últimos, como nos primeiros, o investidor sabe exatamente o retorno do título, se carregá-lo até a data de vencimento. Entretanto, no caso da NTN-F, o investidor recebe um fluxo de cupons semestrais de juros, o que pode possibilitar aumento de liquidez e reinvestimentos.

Em relação à poupança, a professora disse que continua sendo uma boa opção para quem tem pequenos investimentos, de até R$ 50 mil. Acima disso, é indicado que parta para um CDB (Certificado de Depósito Bancário), mas somente se o retorno for em torno de 95% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Renda variável Sobre a renda variável, Myrian afirmou que este é o momento de as pessoas fazerem suas carteiras. “Nesses anos em que o mercado anda 'de lado', é o momento de comprar, para depois aproveitar a subida”, destacou.

Porém, ela indica que a pessoa não transfira dinheiro da renda fixa para a variável, mas que comece a direcionar todo o mês um dinheiro novo para a bolsa. “Porque, se a pessoa tira dinheiro da renda fixa para ações e perde, gera trauma. O investidor de bolsa tem de ser forte, não se deixar abater pelas notícias”, explicou.

De acordo com ela, este é um momento difícil de ganhos para a bolsa. Isso porque as ações sobem por dois motivos básicos, segundo Myrian: a entrada de recursos internacionais e a perspectiva de resultados positivos das empresas. O primeiro fator está sendo afetado pelo cenário internacional não tão favorável e o segundo, pelo fato de as ações já estarem em seu preço justo.

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