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05/08/2010 - 15h35

Petrobras volta a ser mencionada entre papéis que valem a pena no mercado

SÃO PAULO - "Enquanto o mercado está temeroso em relação a quais condições serão observadas em relação à capitalização [da Petrobras], nós enxergamos tudo isso como uma grande oportunidade", declara Leonardo Deeke, gestor de renda variável do Paraná Banco Asset Management. A visão, no entanto, deixa de ser exclusiva da gestora e a oportunidade começa a ser percebida pelo restante dos agentes de mercado, como mostra a valorização de 11,35% que os papéis preferenciais (PETR4) tiveram nos últimos 30 dias. 

Ainda assim, no ano, as ações da estatal acumulam queda de 18,26%. E, mesmo após os avanços recentes - lembre-se que em julho o Ibovespa registrou valorização de 10,8% - esses não são os únicos ativos que apresentam um momento interessante de investimento. De acordo com os analistas e gestores consultados pelo Portal InfoMoney, entram em destaque também as ações ligadas às commodities, com ênfase para a Vale (VALE5). 

Commodities

Para Leonardo Zanfelício, analista da Concórdia Corretora, os preços do minério de ferro em alta, o fim da greve em duas minas no Canadá e os estoques de níquel abaixo da média histórica são alguns dos fatores que o levam a destacar a mineradora. Para a Petrobras, além dos preços do petróleo em recuperação, o analista acredita que a capitalização tende a ser positiva porque diminui a alavancagem da companhia e fornece suporte para que a empresa realize os investimentos necessários à exploração do pré-sal. 

Christiam Klemt, analista da Solidus, acredita que a Vale, com o atual preço do minério, está "barata". Já a Petrobras, em sua opinião, é uma incógnita, pois está presa à capitalização. No entanto, como ficou para trás em relação aos outros papéis do Ibovespa, o analista acredita que a correção pode até durar mais tempo. "No mínimo tem que corrigir essa defasagem muito grande", avalia Klemt. 

Já as siderúrgicas, embora já mostrem resultados em evolução, ainda precisam postar balanços consistentes nos próximos trimestres, acredita o analista. E, para completar, o analista técnico Gilberto Coelho, da XP Investimentos, lembra que os papéis da Gerdau (GGBR4) estão em linha com a média móvel de 200 dias.

Telecomunicações

No entanto, não só apenas as commodities apresentam perspectivas positivas. O setor de telecomunicações também ganhou destaque entre aqueles que ainda apresentam boas oportunidades para os investidores. As ações da Net (NETC4), por exemplo, mostra Coelho, estavam 7,2% abaixo da média móvel de 200 dias na quarta-feira (4), embora a arrancada nesta sessão possa reverter esse número. 

No entanto, os papéis da Tele Norte Participações (TNLP3, TNLP4), que sofreram grandes penalizações, como lembra Leonardo Deeke, do PAM, são os mais citados. O gestor considera a recente desvalorização um exagero, privilegiando, como opção de investimento, por causa da liquidez, os papéis preferenciais da companhia, que no ano apresentam desvalorização de 24,83%. 

O que penalizou esses ativos recentemente foi o anúncio de um termo de acordo para o estabelecimento de uma aliança industrial com a Portugal Telecom, que assim entraria no capital da empresa com uma participação que pode chegar a cerca de 22%. No entanto, com a capitalização prevista, o mercado reagiu mal, avaliando que o negócio foi assinado em termos prejudiciais aos acionistas minoritários. 

Leonardo Zanfelício, da Concórdia, que sugere posicionamento nos papéis ON da companhia, acredita que a entrada da Portugal Telecom tende a ser positiva, não só por causa do aporte de capital, mas também pelo know-how que a empresa, até então sócia da Telefónica na Vivo (VIVO4), traz sobre o setor de telefonia móvel. Gilberto Coelho, da XP, ressalta que os papéis ordinários da Tele Norte Leste estão 16,5% abaixo da média móvel dos 200 dias.

Consumo

Com a análise feita até aqui, fica difícil saber porque o Ibovespa subiu tanto em julho, mas existe um motivo principal logo apontado pelos analistas: o consumo interno. O setor de varejo, que subiu forte, tem como destaque a Lojas Renner (LREN3), 27% acima da média móvel de 200 dias, lembra Coelho, que, no entanto, observa que isso é uma constante no setor, com Marisa (AMAR3) e Natura (NATU3) 33% e 22% acima do indicador técnico, respectivamente.  

Christian Klemt também avalia que, após a valorização expressiva observada nas últimas semanas, muito em função de resultados corporativos, as varejistas não apresentam mais um preço tão atrativo. Leonardo Deeke, do PAM, acredita que as ações até podem continuar subindo se o Ibovespa continuar a traçar trajetória positiva, mas com oscilações bem mais leves. 

O gestor, por sua vez, faz uma ressalva ao observar os papéis da B2W (BTOW3), que registram queda de 31,87% em 2010. Gilberto Coelho, da XP, ressalta que os ativos apresentam desconto de 22% em relação à média móvel de 200 dias. Já Leonardo Zanfelício, da Concórdia, prefere Lojas Americanas (LAME4), que controla 56% da B2W, por ser um veículo de investimento mais diversificado, já que agrega varejo online e varejo de rua em uma mesma empresa, apresentando assim oportunidade no mercado interno com desconto em relação a seus pares. 

Bancos

Além disso, os bancos, embora também tenham acompanhado esse bom momento da economia brasileira, continuam a ser uma aposta interessante no curto e no médio prazo, na avaliação de Christian Klemt, da Solidus. Gilberto Coelho aponta que as ações de Banco do Brasil (BBAS3) e do Itaú Unibanco (ITUB4) estão próximos da média móvel, enquanto o Bradesco (BBDC4) apresenta valorização de 8% em relação ao indicador.

Para Coelho, pode ser uma oportunidade para uma posição comprada em ITUB4 e vendida em BBDC4, por exemplo, na tentativa de, justamente, aproveitar essa distorção, conclui o analista. 

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