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10/08/2010 - 14h22

Mercado brasileiro de fundos fecha 1º semestre com captação de R$ 41,77 bilhões

SÃO PAULO - Apesar do resgate de R$ 1,3 bilhão registrado em julho, a indústria brasileira de fundos encerrou o primeiro semestre do ano com captação líquida positiva em R$ 41,77 bilhões. Com isso, o patrimônio líquido dos fundos do País atingiu R$ 1,53 trilhões (considerando os fundos domésticos e offshore, ou R$ 1,475 bilhões somente com os dados domésticos).

Entretanto, a captação acumulada no ano é 31,1% inferior à registrada em 2009. Cabe dizer que quase todas as categorias listadas pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) registram saldos positivos entre as entradas e saídas de capital no ano - as exceções são os fundos Referenciado DI e FIDCs.

Segundo dados da Associação apresentados nesta terça-feira (10), o principal destaque em termos de entrada de capital foi a categoria Renda Fixa, responsável por 63,4% de toda a captação líquida do ano, com R$ 26,5 bilhões.

A segunda posição fica com os fundos de Previdência, que captaram R$ 8,77 bilhões no ano. "Os fundos de previdência tiveram um crescimento significativo nos últimos anos, com elevação da média de captação mensal. É um movimento interessante, pois ajuda na formação de poupança", explicou Demosthenes Pinho Neto, vice-presidente da Anbima.

Segundo ele, 2010 já é o ano de maior captação da história para esses fundos - seu patrimônio líquido já evoluiu 227,5% desde dezembro de 2005.

Rentabilidade

Já em termos de rentabilidade, os fundos de Renda Fixa acumulam alta de 6,22% no ano - o que não é suficiente para lhe garantir a liderança nesse quesito, e nem mesmo um lugar entre os três primeiros colocados. De acordo com Pinho Neto, os fundos de Renda Fixa têm crescido bem mais do que em 2009.

Os fundos Multimercados Multiestratégia, por exemplo, registram rentabilidade de 6,35% em 2010, enquanto os fundos Multimercados Macro já têm rentabilidade de 6,65% no ano. O primeiro lugar, contudo, fica com os fundos Multimercados Estratégia Específica, com ganhos de 8,01% nos primeiros seis meses. Esse tipo de fundo, de acordo com a Anbima, adota estratégias de investimento que impliquem em riscos associados a ativos como commodities e futuro de índice, por exemplo.



Enquanto isso, a subcategoria Ações Ibovespa ativo fica com a pior rentabilidade no acumulado do ano, com perdas de 3,83%. Os fundos Ações IBRX Ativo aparecem logo atrás, com perdas de 2,75%.

Julho: ações em foco

Acompanhando o movimento da bolsa brasileira - cujo principal índice, o Ibovespa, avançou 10,8% no período - o mês de julho foi bastante positivo para os fundos de ações, que segundo Pinho Neto, recuperaram parte das perdas do início do ano.

Assim, o destaque de rentabilidade do mês ficou com a subcategoria "Ações Setoriais Livre", que acumulou valorização de 12,89% em julho - a maior desde sua criação, em março de 2008. "Quando se avalia o retorno acumulado dos fundos de ações no ano, contudo, apenas o tipo Small Caps, apresenta desempenho significativamente superior ao Ibovespa, com variação de 7,29% contra recuoo de 1,56% do índice", aponta a Anbima.

"Mais do mesmo" até o final do ano

Daqui para frente, a Anbima espera uma continuidade do movimento positivo visto em 2010 - apesar de prever que o ano não será tão forte quanto o anterior. "A tendência é de expansão contínua após um ponto de inflexão no segundo semestre de 2008 (...) não vejo nada que possa significar alguma ruptura de tendência de agora até o final do ano", explica Pinho Neto."Deveríamos esperar um pouco mais do mesmo", completa o executivo.

"Sazonalmente, o segundo semestre é bom, com as restituições do imposto de renda, dissídios, 13º salário. O período tem sido consistentemente positivo", lembra ainda Pedro Bastos, diretor da Anbima.

Ainda segundo Pinho Neto, o Brasil sofreu menos com a crise financeira - "tanto por mérito nosso quanto por barreiras regulatórias. É um País muito fechado para se investir, muito baseado em renda fixa, o dobro em relação à média mundial", explicou .

Para ele, as perspectivas em médio e longo prazo incluem uma maior participação de ativos alternativos - como ações e multimercados - nas carteiras. "As taxas de juro mais civilizadas levam os investidores a buscar alternativas mais interessantes, assemelhando o portfólio com o restante do mundo", afirmou o executivo. Segundo Pinho Neto, a Selic deve voltar a cair em 2011, intensificando a busca por risco.
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