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16/08/2010 - 13h55

Analistas elogiam resultados da Petrobras, mas alertam para maior alavancagem

SÃO PAULO – “Próximos à nossa expectativa”, “em linha com o esperado”, “levemente acima das projeções”: essas são algumas das frases que marcaram os relatórios de analistas sobre os resultados da Petrobras (PETR3, PETR4) no segundo trimestre deste ano, marcado por um lucro líquido de R$ 8,295 bilhões.

De um lado, a performance operacional em segmentos como o de exploração e produção (E&P), o desempenho de vendas, especialmente no mercado doméstico, e menores despesas destacaram-se positivamente. Em contrapartida, o segmento de abastecimento e a maior alavancagem da companhia inspiram cautela.

Pontos positivos: vendas, receita, despesas

A começar pelos aspectos positivos, para Mônica Araújo, analista da Ativa Corretora, o destaque dos balanços da Petrobras ficou por conta do forte crescimento do volume de vendas no segundo trimestre desse ano (+7,2 na comparação com 2009), “com evolução mais significativa da demanda do mercado doméstico”.

Com o aumento no volume das vendas e também um efeito favorável vindo da correção no preço de alguns derivados, a equipe da Planner Corretora, por sua vez, destaca os R$ 38,9 bilhões contabilizados pela estatal em sua receita líquida trimestral, cifra que representa um crescimento de 15,5% na base de comparação anual.

Andrés Kikuchi, analista da Link Investimentos, elege como um dos destaques dos resultados reportados pela Petrobras as menores despesas operacionais, como, por exemplo, o menor custo exploratório apresentado no segmento E&P. Mônica Araújo compartilha opinião semelhante, e destaca que a queda nas despesas ajudou a empresa a atingir uma margem Ebtida de 30,9% no segundo trimestre desse ano, “ligeiramente acima da esperada”.

Segmentos: surpresas favoráveis e desfavoráveis

Por falar em E&P, o segmento recebeu elogios de diversos analistas, entre eles Pedro Medeiros, do Citi, que em seu relatório destacou a produção mais aquecida e os maiores preços comercializados. O lucro líquido obtido pela Petrobras em tal divisão foi de R$ 7,649 milhões, superando as expectativas da Link.

Outro segmento da estatal que apresentou bons números entre abril e junho deste ano foi o de gás e energia, cujo resultado líquido positivo em R$ 349 milhões também superou com folga as expectativas da Link de R$ 273 milhões. Para Kikuchi, o bom desempenho deve-se tanto à maior receita líquida, em função de maior receita de geração de energia e maior volume de venda de gás natural, quanto às menores despesas operacionais.

No entanto, desempenhos de outras divisões da Petrobras foram recebidos com maior cautela pelos analistas, em especial o reportado no segmento de abastecimento. Como observa Kikuchi, a divisão trouxe prejuízo líquido de R$ 108 milhões no segundo trimestre desse ano, contrariando projeções de lucro de R$ 1,16 bilhão da Link. “Apesar do incremento do volume de vendas, tanto no mercado interno quanto no externo, e do aumento do preço de realização de derivados no mercado interno, os custos de produção totalizaram R$ 42,255 bilhões, o que reduziu sensivelmente a margem bruta”, explica o analista.

Por sua vez, o segmento de distribuição também não agradou muito, trazendo um lucro líquido de apenas R$ 268 milhões. Ainda de acordo com Kikuchi, “o principal motivo dessa diferença deve-se à despesa extraordinária com equacionamento de débitos tributários de ICMS/RJ de R$ 110 milhões e do incremento de provisão para créditos de liquidação duvidosa, de R$ 25 milhões”.

Alavancagem líquida preocupa

Entretanto, o aspecto que mais levantou preocupações entre os analistas foi o aumento da alavancagem líquida da Petrobras. “Com relação aos investimentos, a Petrobras elevou o montante trimestral, totalizando R$ 20,3 bilhões no segundo trimestre de 2010. Assim, o fluxo de caixa foi novamente negativo, desta vez em R$ 6,379 bilhões. A fim de suportar o elevado programa de investimentos, a Petrobras elevou mais uma vez o endividamento líquido para R$ 94,2 bilhões, com uma relação dívida líquida sobre dívida líquida mais patrimônio líquido de 34%”, esclarece Kikuchi.

É justamente essa relação de elevada alavancagem de 34% que desperta posições temerosas no mercado, que por estar tão próxima do limite de 35% estabelecido em seu guidance, “sinaliza uma elevação no risco de que a oferta de ações da companhia seja realizada no curto prazo”, nas palavras de Pedro Medeiros, do Citi.

“Considerando a manutenção do nível de investimento e de geração de caixa, no próximo trimestre o grau de alavancagem ultrapassará o limite indicado como o máximo pela administração da empresa”, alerta, por sua vez, Araújo. Mas a analista não deixa de amenizar o tom de sua afirmação: “a atual gestão mostra certo comprometimento com os limites de alavancagem no curto prazo, preocupada em não estourar seus ratios”.

Para Medeiros, os níveis mais elevados de endividamento devem fazer com que a companhia procure realizar sua oferta de ações no próximo mês de setembro. “Assim, esperamos que a Petrobras e o governo brasileiro revelem maiores detalhes sobre o preço dos barris na capitalização onerosa”.

Perspectivas aos papéis

Até que a companhia de fato revele ao mercado maiores detalhes sobre sua oferta de ações e capitalização onerosa, a perspectiva majoritária entre os analistas é a de que os papéis sigam pressionados. Dessa forma, “as ações devem repercutir de forma neutra os resultados reportados”, afirmam os analistas da Planner Corretora. De fato, os papéis ordinários e preferenciais da petrolífera operam entre a estabilidade e leve queda no pregão desta segunda-feira.

Ainda assim, os bons fundamentos da empresa sustentam perspectivas favoráveis aos ativos no médio e longo prazo. Não à toa, as corretoras reforçaram suas recomendações positivas às ações, como a equipe do Citi. “Mantemos nosso rating de compra baseado nos sólidos fundamentos da companhia, embora acreditemos que melhores oportunidades de entra nos papéis deverão surgir mais à frente”, opina Pedro Medeiros.

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