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17/08/2010 - 17h56

Pesando crescimento e competição, BB atualiza target de Cielo e Redecard

SÃO PAULO - Até que ponto o crescimento robusto do faturamento da indústria de cartões compensa a perda de receitas gerada pelo atual cenário competitivo? Partindo dessa pergunta, a analista do Banco do Brasil Marianna Waltz analisa o mercado de meios de pagamentos e atualiza projeções para Redecard (RDCD3) e Cielo (CIEL3).

No geral, a analista acredita que os grandes drivers de crescimento para as empresas - aumento do consumo privado, cultura de uso de cartões de pagamento e bancarização - devem permanecer em cena nos próximos anos e neutralizar a queda nas receitas de aluguéis de equipamentos e diminuição do net MDR (taxa cobrada aos estabelecimentos pelas credenciadoras de cartões por operação).

O novo preço-alvo para Cielo é de R$ 20,60 para junho de 2011, representando upside de 30% frente o fechamento de 16 de agosto. Para a Redecard, o preço-alvo de R$ 31,70 para o final do ano representa upside de 24% na mesma base comparativa. A recomendação para os papéis das duas empresas é de compra.

Mercado

Marianna acredita em um cenário de aumento do consumo e maior penetração dos cartões de pagamento (atualmente em 22,5%, a projeção é que chegue a mais de 33% em 2013). Ela aponta ainda para particularidades do mercado brasileiro ante o norte-americano, com poucos players e características de oligopólio, enquanto lá fora há vários concorrentes. No Brasil, o Net MDR também é maior.

"Acreditamos que o mercado brasileiro ainda esteja longe da maturidade", observou a analista. Ela considera crescimento de 21,4% para o faturamento da indústria neste ano, incluindo private label, sendo 22,4% para o mercado de crédito e 21,9% para o débito. Os CAGRs (taxa composta de crescimento anual médio) são de 17,9% e 17,5% para cada um, respectivamente.

Fim da exclusividade

Com relação ao fim da exclusividade, ela deve pressionar os resultados, levar a perda de market share das duas maiores empresas - que atualmente concentram 94% do mercado - e quedas no net MDR e nas receitas de aluguel e POS. Na opinião da analista, as adquirentes devem evitar uma guerra de preços, mas o impacto é inevitável.

Se os efeitos já estão precificados no mercado, as negociações em andamento com os estabelecimentos comerciais não são muito transparentes. Enquanto os de maior porte olham sobretudo para preço, para os pequenos e médios pesa mais o relacionamento e o pacote de serviços com bancos comerciais.

Marianna estima que em cinco anos, a participação de Redecard e Cielo deve cair para 84,5%, mas não acredita que um novo player possa dividir o mercado em três. A parceria entre a Cielo e o HSBC, mais do que o volume da captura em si, foi importante por representar a saída de um potencial concorrente.

Comparação

Outro ponto decorrente do fim da exclusividade é a importância dos bancos controladores, que fica reforçada. O foco, que estava na bandeira, passou para o relacionamento com o estabelecimento comercial. E, neste quesito, a analista acredita que a Cielo leva vantagem: os controladores BB e Bradesco tem maior capilaridade que o Itaú Unibanco, e as demonstrações de apoio também tem sido mais contundentes.

Entretanto, no quesito Antecipação de Recebívies, que é a principal diferença nas receitas operacionais das duas empresas, Marianna vê a Redecard na dianteira, uma vez que seu controlador tem critérios de estabelecimento de trava mais flexíveis.

Outro ponto em que a Redecard tem mais a ganhar é no quesito parceiras. Há áreas, sobretudo no Nordeste, em que não está presente mas já há afiliação maciça da Hipercard; já no caso da Cielo, a intersecção com as áreas da parceira Amex é de quase 100%.

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