UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

17/08/2010 - 13h22

Pesquisa com gestores do BofA ML afasta recessão, mas cautela segue presente

SÃO PAULO – A pesquisa com gestores do Bank of America Merrill Lynch traz uma certa dose de cautela aos mercados globais, embora sinaliza que os temores de um duplo-mergulho parece um evento cada vez menos propenso a ocorrer. Embora apenas 5% dos investidores acreditem em um forte crescimento global nos próximos 12 meses, 78% não estimam o advento de uma nova recessão.

“A queda nas expectativas de crescimento em junho e julho foi seguida por uma estabilização em agosto”, observa o estrategista-chefe da área de pesquisa do banco, Michael Hartnett.

No entanto, embora o receio de um novo tropeço da economia seja menos provável, tampouco é possível apontar uma direção aos mercados, umas vez que “poucos investidores detêm projeções extremamente negativas ou positivas”, acarretando em um clima de incertezas e volatilidade ao período.

Sinais de alerta e Europa

Dentre as principais preocupação dos gestores, estão os riscos dos apertos fiscais prematuros e defaults de títulos europeus e norte-americanos. Além disso, Hartnett observa que “o foco do pessimismo dos investidores tem se afastado da China e da Europa para o Japão e EUA”. Com isso, prevê que “notícias boas quanto ao crescimento dos EUA e a política fiscal seriam surpresas agradáveis.”

“O sentimento dos investidores na Europa tem sido palco de uma recuperação notável nos últimos meses, sustentado por um maior otimismo sobre bancos do continente. Os dados econômicos agora têm de continuar a apoiar esta mudança", complementa Gary Baker, chefe de estratégia europeia do BofA.

Emergentes

Com relação aos mercados emergentes, a pesquisa traz boas notícias: as alocações cresceram em agosto. De acordo com os dados, 38% dos entrevistadas afirma manter uma alocação overweight (acima da média do mercado) nas economias emergentes, significativo avanço face aos 34% registrados em julho. “Os mercados emergentes são, de longe, as regiões mais favorecida, mas continuam aquém do posicionamento observado em novembro passado (53% de overweight)”, lembra Hartnett.

Em parte, a expansão das alocações nos emergentes é explicada pela percepção mais otimista quando à economia chinesa: para 19% dos entrevistados a economia chinesa deve enfraquecer ao longo do próximo ano, significativa melhora face aos 39% registrados há um mês. O otimismo deve-se à maior exposição às commodities neste mês, uma vez que 9% dos investidores mantêm alocação overweight em matérias-primas, acima do 1% de julho.

Brasil em destaque

Ainda no tocante aos mercados emergentes, uma boa notícia ao País: além de ser um dos principais destinos de alocação dos gestores, a pesquisa mostra ainda que neste mês, “a alocação no Brasil aumentou, enquanto à exposição à China recuou levemente”.

Setores 

Em uma análise setorial do mercado acionário, as instituições financeiras, que viam as exposições em seus ativos minguando nos últimos meses, são o destaque em agosto, embora ainda 19% dos entrevistados revelam underweight no setor – em julho eram 28%.

O setor industrial também se destacou no período, atingindo 12% de overweight dos gestores, ao passo que o setor de tecnologia permanece como o predileto dos gestores globais.

Já o setor farmacêutico passou por umas das maiores contrações, de 23% de overweight em julho para 12% neste mês, seguido pela queda no setor de eletricidade, que, com 27% de underweight, passa a ser o menos privilegiado pelos investidores entrevistados.

Entenda a pesquisa

A pesquisa com gestores é realizada mensalmente pelo Bank of America Merrill Lynch, com a assistência da companhia de pesquisa de mercado TNS. Em agosto, um total de 187 gestores de fundos, que administram cerca de US$ 513 bilhões, responderam à pesquisa no intervalo entre os dias 6 e 12. A pesquisa regional teve um total de 157 entrevistados, que gerenciam aproximadamente US$ 327 bilhões.

Hospedagem: UOL Host