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18/08/2010 - 20h20

Fibria ainda preocupa analistas, que preferem Suzano no setor de celulose

SÃO PAULO - Após mostrarem uma forte recuperação no início do ano, os preços da celulose de fibras longa e curta deram início nas últimas semanas a uma tendência de queda, que, na visão de analistas, deve permanecer apenas no curto prazo. Mas, em meio à nova dinâmica do setor, marcada pela retomada da oferta e menor demanda chinesa, os papéis das produtoras brasileiras têm sofrido oscilações constantes.

Com desempenho descolado de seus pares no lado negativo, as ações da Fibria (FIBR3) acumulam em 2010 uma expressiva queda de 24,97%, cotadas a R$ 29,33 cada, com base no fechamento da última terça-feira (17). Em sentido oposto, a Suzano (SUZB5) vê seus ativos preferenciais classe A somarem leve alta de 1,62% desde janeiro. Já a Klabin (KLBN4) mostra uma variação negativa em suas ações de 6,08% desde o início deste ano.

Fatores como o alto endividamento e a verticalização das operações da Fibria seguem pressionando as cotações das ações da empresa, fazendo com que a preferência do mercado, em geral, recaia sobre os ativos da Suzano no setor. Para o analista Leonardo Zanfelicio, da Concórdia Corretora, um dos principais vetores desse movimento de baixa no ano auferido pelas ações da Fibria é a alavancagem financeira da companhia.

"Quando a VCP comprou a Aracruz, a dívida da empresa resultante (Fibria) ficou bem alta", disse Zanfelicio. "No momento de estresse, como o que vimos na semana passada, com os mercados registrando volatilidade, a empresa que tem a maior dívida acaba sofrendo mais", completou o analista.

De acordo com os últimos resultados financeiros divulgados pela produtora de celulose, a dívida bruta da Fibria atingiu R$ 13,209 bilhões ao final de junho deste ano - um volume considerado bastante elevado pelos analistas. Já a Suzano detinha uma dívida bruta de R$ 6,285 bilhões ao final do segundo trimestre, o que representa um volume inferior à metade daquele visto pela Fibria.

"A situação da alavancagem financeira da Suzano é muito melhor que a da Fibria. (...) A chance de a Fibria não arcar dívidas com seus credores é muito maior em caso de outra crise", avaliou Zanfelicio. O analista da Concórdia lembrou ainda que o desempenho negativo do Ibovespa em 2010 (-1,46%, com base no fechamento de 17 de agosto) também influencia na queda dos papéis da Fibria.

Verticalização das operações

Na visão do analista Victor Luiz de Figueiredo Martins, da Planner Corretora, tanto o momento positivo ao setor como a vertizalização das operações da empresa influenciam a performance dos papéis da companhia. "O que ameniza essa situação da alavancagem financeira maior da Fibria é esse momento favorável à celulose, que permite a companhia gerar recursos maiores para poder amortizar de uma forma mais rápida a sua alavancagem, que é o que está acontecendo", disse.

Para Martins, o fato de a empresa ter grande parte de suas operações focada na produção de celulose também pode trazer risco à performance das ações. "A Fibria é mais focada em celulose, inclusive os ativos de papel ainda remanescentes ela já demonstrou a intenção de vender. As outras (Suzano e Klabin) têm a questão do papel também que, na venda para o mercado interno, oferece uma estabilidade maior. É como se fosse um hedge", afirmou o analista da Planner.

De acordo com Martins, as operações da Suzano com o segmento de papel - embora a empresa também tenha o foco em produção de celulose - garantem à companhia uma espécie de válvula de escape no caso de uma mudança no cenário para o segmento de celulose. "Não é o caso neste momento porque o ciclo é de alta, mas quando começar um ciclo de baixa, quem só tiver celulose para vender vai ter um reflexo diretamente em seus resultados. Ao passo que, se você tem também a venda de papel e também é forte no mercado interno, você tem um colchão que pode amortecer essas oscilações nas commodities. Então a questão da verticalização também explica um pouco essa diferença nas cotações das ações", completou o analista.

Recomendações

Enquanto as ações podem sofrer no curto prazo com a perspectivas de novas quedas para o preço da celulose, os analistas seguem confiantes de que as operações das produtoras brasileiras seguirão fortes até pelo menos o próximo ano. "Nós somos especialistas na produção de celulose de fibra curta. Nós temos um investimento tecnológico na formação de excelentes matrizes e plantas que oferecem crescimento muito mais rápido. Isso garante uma vantagem comparativa muito boa em relação aos demais players", disse Martins.

O analista Leonardo Alves, da Link Corretora, destacou que, mesmo em queda, os novos patamares dos preços da celulose não chegam a preocupar. "Continuamos acreditando que o preço da celulose de fibra curta não deve ficar abaixo de US$ 800,00 por tonelada, um patamar bastante positivo para as empresas de baixo custo, que é o caso das brasileiras", afirmou o analista.

A corretora manteve seu rating outperform (desempenho acima da média do mercado) para os papéis da Suzano - a top pick no setor -, bem como a recomendação market perform (desempenho em linha com o mercado) para Fibria e Klabin.

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