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18/08/2010 - 13h30

MCM não vê bolsa brasileira supervalorizada e aposta em ganhos nos próximos meses

SÃO PAULO – Com a valorização conquistada na última terça-feira (17), o Ibovespa acumula no ano uma queda de 1,46%. No mesmo 17 de agosto, só que em 2009, o principal índice da bolsa brasileira mostrava uma alta de mais de 47%. Como explicar a disparidade? E o que esperar do mercado nos próximos meses?

A equipe da MCM Consultores Associados dedica-se à empreitada de tentar achar as repostas para tais indagações. “Após a forte recuperação em 2009, o índice Bovespa, em termos reais, tem permanecido estacionário em 2010, com oscilações significativas, associadas sobretudo a fenômenos internacionais, como a eclosão da crise europeia no mês de março passado”, afirma.

Formulando o modelo

Na tentativa de prever o rumo do Ibovespa nos próximos meses que antecedem o final do ano, a equipe da MCM formulou um modelo econométrico, “útil para avaliar se índices de preços de ações estão ou não em linha com os fundamentos macroeconômicos”.

O modelo da MCM leva em conta quatro variáveis externas: o índice norte-americano S&P 500; o Embi-Brasil, comumente chamado de risco-País; preços de commodities, medidos pelo CRB-spot; e a cotação do barril de petróleo. Atreladas ao plano doméstico, duas variáveis também foram levadas em consideração pela equipe: a taxa real de juro e o índice de produção industrial seis meses à frente.

Entretanto, uma significativa variável foi excluída propositalmente do modelo: o plano de capitalização da Petrobras, que em meio às incertezas que gera “sobre a composição acionária futura da empresa e sua lucratividade”, tem pesado fortemente sobre os papéis da petrolífera. “Assim, excluímos as ações da Petrobras do índice Bovespa, no qual representam algo próximo de 12%, e reestimamos a carteira restante”, explica a MCM.

Discrepância

O resultado obtido pela equipe de consultores mostra discrepância entre o desempenho do benchmark e a trajetória do índice estimado pelo modelo. “Como esperado, há alguns desvios de preços com relação aos fundamentos, os quais não são completamente capturados”, explica.

Em fevereiro e maio desse ano, por exemplo, o Ibovespa ficou abaixo do indicado pelos fundamentos, o que na visão da MCM, é explicado pelo aumento da aversão ao risco àquela época, em função dos problemas fiscais enfrentados pela Europa. Depois desse momento de maior tensão, a aversão ao risco diminuiu e os preços das ações retornaram a patamares mais ou menos em linha com os fundamentos.

“A partir daí, pode-se ver que os preços das ações brasileiras têm se mantido apenas ligeiramente acima do valor estimado pelo mercado, ou seja, em termos estatísticos não se pode falar que as ações no Brasil estejam supervalorizadas”, opinam os consultores da MCM.

Perspectivas

O panorama traçado pelo modelo é interessante, mas afinal, o que esperar daqui para frente? “Nossa expectativa é positiva”, já revela a equipe da MCM. Para eles, a despeito da recente desaceleração, a economia brasileira deve crescer acima da média esperada para as economias desenvolvidas em 2011: “4,5% contra 2,4%, segundo previsões do FMI. E esse diferencial pode ser até maior, se os sinais de fraqueza acerca da recuperação dos EUA e Europa se confirmarem”.

Com índices de rentabilidade mais elevados, as empresas brasileiras devem atrair maior fluxo de capitais ao mercado acionário doméstico. Além disso, a MCM estima que são grandes as chances de que o atual ciclo de aperto monetário no País seja menor que o anteriormente previsto. “Provavelmente, a taxa Selic ficará no atual nível de 10,75% [ao ano], o que implica um juro real bem abaixo da média histórica recente. Isso tende a aumentar a atratividade do mercado acionário”, explicam. Ainda no plano interno, a equipe diminui o otimismo e faz uma ressalva: “é possível que os investidores adotem postura mais cautelosa com a proximidade das eleições gerais”.

Enquanto isso, no cenário externo, indicadores de crescimento e atividade econômica devem continuar trazendo números abaixo do potencial, o que, embora seja essencialmente negativo, afasta o risco de pressões sobre a inflação e justifica a manutenção de políticas monetárias expansivas nos países desenvolvidos. “Esse quadro de liquidez folgada também é outro fator favorável para a Bovespa”, conclui, otimista, a equipe da MCM.

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