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19/08/2010 - 18h28

Prazo ou rentabilidade? Saiba os riscos que envolvem cada estratégia de investimento

SÃO PAULO – Realocação de carteira é um ponto fundamental na hora de aplicar sua estratégia de investimentos. Afinal, mudar de posição em seus investimentos, sejam eles de renda variável ou renda fixa, é uma atitude delicada e que depende bastante da estratégia adotada por cada investidor. Enquanto há aqueles que seguram determinados ativos até obter a rentabilidade desejada, há os que pouco se preocupam com os números e percentuais, se prendendo unicamente ao prazo que determinou para manter o dinheiro ali investido.

Apesar de válidas, ambas estratégias envolvem riscos e, segundo especialistas, podem impedir que se alcance os objetivos desejados.

Para o consultor em planejamento financeiro pessoal Augusto Saboia, todo investidor precisa ter uma planilha para acompanhar como os investimentos têm se saído e quando o valor investido está caindo o que, para ele, demonstra que é hora de mudar.

“A estratégia de só sair de uma aplicação quando ultrapassar 10% de rentabilidade é boa, mas as coisas podem inverter. Quem comprou ações da Petrobras há dois anos, faz um tempo que não vê a cor do dinheiro. Se ele preferir esperar que as ações voltem ao valor que estavam quando comprou, pode levar um tempo demasiadamente longo”, disse.

 “Vou esperar render”

Focando na renda variável, Saboia afirma que o investidor iniciante pode cair no erro de segurar sua posição por confiar na empresa da qual comprou ações e achar mais seguro ficar nela. “Às vezes é uma empresa que você confia, mas seu dinheiro está rendendo menos que a inflação. Se o investidor com menos informação focar e aguardar apenas a rentabilidade, pode ser mais arriscado do que parece. Ela está abrindo mão dos ganhos que conseguiria se tivesse coragem de sair daquele papel e investir em outra coisa”.

Já a diretora da gestora de investimentos independente Kodja & Company, Cláudia Kodja, acredita que determinar um prazo para manter o dinheiro investido é essencial, mas ele não deve engessar a carteira de investimentos.

“A economia é dinâmica, assim como a vida do investidor. As pessoas precisam se preocupar em alocar seus investimentos ao longo da vida, diversificando conforme o prazo e rebalanceando ao longo desse período, para que elas usufruam das melhores oportunidades que o mercado oferecer”, afirma.

Mexa-se

Cláudia recomenda ainda que, a cada seis meses, o investidor visite seu gerente ou gestor, fazer uma espécie de auditoria de seus investimentos, como estão os números, quais as perspectivas econômicas, o quanto tempo se tem para investir. Nessa conversa, que a especialista compara à visita periódica ao médico, o investidor deve checar se seus percentuais de alocação, entre renda fixa e variável, estão adequados à idade e ao nível de renda atual, por exemplo.

“Existem vários pontos de vista e cada opinião deve ser respeitada e analisada. Há aqueles que dizem que quanto menos você mexer em seu investimento, melhor, porque mais cedo ou mais tarde você vai pegar um ciclo econômico positivo. Particularmente, acho que o mercado é muito volátil e se prender a um investimento pode te levar a perda de oportunidades”, finaliza a especialista.

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