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19/08/2010 - 16h54

Viver com pouco dinheiro está entre os motivos de ser brasileiro, revela pesquisa

SÃO PAULO – Por que sou brasileiro? Porque sei me virar com pouco dinheiro. A resposta foi escolhida por 17% dos entrevistados que participaram do Projeto Brasilidade, pesquisa sobre a identidade do brasileiro conduzida pelo sociólogo e cientista político Rodrigo Mendes Ribeiro.

Essa percepção é mais forte entre os brasileiros de baixa renda.  Para 20% dos pertencentes às classes D e E, ser brasileiro é saber viver com pouco dinheiro. Dentre os da classe C, o percentual é de 14%, índice menor que o verificado nos entrevistados da classe B, cujo percentual alcançou 17%. Dos brasileiros da classe A, 12% relacionaram a identidade do brasileiro com o fato de saber viver com pouco dinheiro.

Considerando as regiões, os respondentes do Centro Oeste são os que mais relacionam a identidade do brasileiro com o fato de saberem viver com pouco dinheiro: 26% fizeram essa relação. No Sudeste o percentual  chega a 14%. No Nordeste, o percentual chegou a 23%, seguido das regiões Norte (18%) e Sul (17%). 

Trabalho

A pesquisa mostra ainda que, considerando as 16 respostas indicadas pelos pesquisadores, a mais citada foi  "porque sou batalhador". A resposta foi escolhida por 26% dos entrevistados. Considerando as classes sociais, a frequência dessa resposta foi maior entre os brasileiros das classes C e A, que empataram com 27%.

Dos que pertencem à classe B, 24% responderam que são brasileiros porque são "batalhadores" e 26% dos integrantes das classes D e E responderam da mesma forma.

Considerando as regiões, a pesquisa mostra que os brasileiros do Norte são os que mais fazem essa relação, com 35% optando por essa resposta, seguido daqueles que vivem nas regiões Centro-Oeste (31%), Nordeste (27%), Sudeste (25%) e Sul (24%).

Otimismo

A pesquisa ainda mostra que a resposta "porque não perco a esperança nunca" foi a segunda mais citada, com 22% das respostas. Segundo o estudo, as classes A e B se destacaram, ficando acima da média: 32% dos brasileiros entrevistados da classe A e 27% da B são otimistas e responderam que “não perdem a esperança nunca”.

Considerando os brasileiros da classe C, 23% escolheram essa resposta e 17% daqueles que pertencem às classes D e E também citaram essa alternativa.

Das regiões, os brasileiros do Norte são mais otimistas nesse sentido, pois 39% escolheram essa afirmação, ao passo que 28% dos que vivem no Nordeste responderam o mesmo. 

Como o brasileiro se vê

A pesquisa ainda mostra que os brasileiros acreditam que convivem bem com outras pessoas e que esse fato também é parte da sua  identidade, sendo citado por 20% dos entrevistados. A boa convivência com os amigos também foi citada, com a opção “adoro conviver com amigos” sendo escolhida por 17% dos que participaram do estudo.

Para o pesquisador Rodrigo Mendes Ribeiro, esse percentual poderia ser maior, se não fosse o receio de ter de emprestar dinheiro aos amigos. “O brasileiro se acha menos amigo porque, se estreitar as relações, terá que ajudar a criar os filhos dos amigos, emprestar dinheiro, oferecer o próprio nome para compras no crédito”, explicou, por meio de nota.

Sobre o estudo

A pesquisa foi conduzida em março deste ano. Foram ouvidas 1.272 pessoas de todas as classes sociais e todas as regiões. Do total de entrevistados, 48% são do sexo masculino e 53% do feminino.

Grande parte dos entrevistados é jovem, com idade entre 30 e 39 anos (25,1%), seguidos pelos que têm 18 e 24 anos (21,9%). Outros 14,2% têm idade entre 25 e 29 anos e 12,1% com idade entre 50 e 59 anos.

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