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24/08/2010 - 08h00

Mensalidades escolares terão reajuste superior à inflação, afirma sindicado

SÃO PAULO – O reajuste das mensalidades dos colégios particulares de São Paulo será acima da inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de acordo com estimativa do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo).

O presidente do sindicato, José Augusto de Mattos Lourenço, explica que o item que mais pesa no orçamento das escolas é a folha de pagamento dos professores e demais funcionários.

“Os salários terão reajuste baseado em uma média do INPC, IPC e ICV mais 1,2% de aumento real. Como os salários chegam a representar 70% da receita das escolas, a folha de pagamento e os impostos são o que mais determinam o reajuste da mensalidade, que com certeza ficará acima da inflação pelo IPCA”, declarou Lourenço.

Os impostos também são um aspecto levado em conta pelas escolas na hora de realizar o reajuste. “Uma escola nos Jardins [bairro nobre de São Paulo], por exemplo, tem o IPTU muito acima do que uma escola em um bairro periférico. O cálculo do reajuste leva isso em consideração”, lembrou.

Inadimplência

Na semana passada, o sindicato realizou uma reunião com os representantes de escolas para apresentar as perspectivas econômicas, que levam em conta, além do reajuste salarial, outros parâmetros, como a inadimplência.

Segundo Lourenço, a média de inadimplência no estado é de 10,75%, nível considerado alto. “Algumas regiões, como São José dos Campos, chegam a 17,71%. Ou seja, para ter essa média, significa que há escolas com inadimplência atingindo 22%”, destacou. Para ele, a inadimplência também é considerada pela instituição de ensino na hora de calcular sua mensalidade.

“Uma escola que não faz uma reserva para cobrir a inadimplência acaba tendo de buscar dinheiro no sistema financeiro, com juros altíssimos. Então, sem dúvida o bom pagador acaba pagando pelos inadimplentes, pois todos sofrem com a mensalidade mais alta”, declarou Lourenço.

Ele lembra ainda que, pela legislação atual, as escolas são obrigadas a manter o aluno inadimplente até o final do ano letivo, podendo apenas não renovar sua matrícula após esse período. Depois, é possível tentar entrar com uma ação judicial e receber o valor atrasado. “Como a justiça é demorada, é possível que leve muito tempo para a escola conseguir o dinheiro”, completou.

Hospedagem: UOL Host