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13/09/2010 - 11h18

Atrasos e críticas prejudicam visão do investidor sobre capitalização da Petrobras

SÃO PAULO - No último dia 3, a Petrobras (PETR3, PETR4) protocolou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) seu pedido de oferta pública primária de ações, dissipando uma boa parte das dúvidas que rondavam o processo de capitalização. No entanto, mesmo com o anúncio dos principais termos da oferta, 41,44% dos 2.283 leitores do Portal InfoMoney que responderam nossa enquete deram nota zero à condução do processo de capitalização da Petrobras. 

O elevado patamar dos leitores críticos ao processo pode ser entendido por uma série de fatores. Em primeiro lugar, pelo próprio desempenho das ações, que apresentaram performance bastante negativa ao longo do ano de 2010, justamente em função do noticiário envolvendo a oferta.

As quedas foram intensificadas em junho, quando, após aprovação pelos acionistas minoritários, em Assembleia Geral Extraodinária, do aumento de capital da estatal, a Petrobras anunciou que a capitalização seria adiada para setembro. O atraso no processo, que estava marcado para ocorrer em julho, penalizou as ações.

Preço do barril de petróleo

O atraso ocorreu por causa da demora da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em contratar uma auditoria para certificar os 5 bilhões de barris em reservas do pré-sal que seriam vendidos à empresa. No entanto, contratada as certificadoras independentes tanto pela Petrobras quando pela ANP, deu-se início a outro impasse: o preço do barril de petróleo utilizado na cessão onerosa. 

As auditorias encontraram preços diferentes, e uma discussão "muito dura", segundo José Sergio Gabrielli, presidente da estatal, aconteceu com o Governo. No dia 1º de setembro, o preço do barril de petróleo foi definido em US$ 8,51 (ou R$ 14,96), pondo um fim às especulações que rodeavam a questão. Vale lembrar que o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, havia prometido a divulgação para o dia 23 de agosto, e a demora deu ensejo a especulações sobre um possível novo adiamento. 

Nesse ponto, entre as principais reclamações ficou o fato de que não foi feita uma avaliação independente para conciliar as posições defendidas pela Petrobras e pela ANP  – a decisão ficou com a União, parte interessada na questão.

Termos da capitalização

Assim, o preço do barril de petróleo, no topo das projeções, foi criticado por alguns analistas. A Ativa, por exemplo, em relatório assinado por Mônica Araújo, declarou que o valor ficou acima da expectativa inicial e implica uma taxa de retorno inferior àquelas usualmente utilizadas pela companhia. 

Ainda assim, com o preço do barril definido, o processo de capitalização poderia prosseguir, já que o tamanho da oferta de ações dependia do valor do barril. Na sexta-feira, 3 de setembro, a estatal divulgou o prospecto da oferta, em que mais informações foram esclarecidas. 

Dentre as 620 páginas do prospecto preliminar, encontram-se informações sobre cronograma, quantidade de ações a serem distribuídas (até 4,3 bilhões), coordenadores da operação e as características de cada tipo de oferta brasileira – a saber, prioritária, de varejo e institucional. Além dela, há também a oferta internacional. A captação inicial pode chegar a um recorde global. 

Críticas ao processo

No entanto, dado o tamanho do processo, a questão da diluição dos acionistas minoritários, um dos pontos mais controversos da capitalização, é outro fator que pesa na percepção da condução do processo, com a ideia de que a União gostaria de aumentar sua participação na empresa através das sobras de subscrição. De com os cálculos da estatal apresentados através do prospecto, "nossos atuais acionistas que optarem por não participarem da oferta global sofrerão uma diluição imediata de 30,0%".

“Temos ouvido que tem um sem número de investidores extremamente desconfortáveis”, afirmou Edison Garcia, superintendente da Amec (Associação de Investidores do Mercado de Capitais), órgão que atua na defesa dos acionistas minoritários em companhias abertas.

Ressaltando que a associação apenas defende as boas práticas e não pode induzir os acionistas a irem contra qualquer operação, portanto ela mesma não pode exercer nenhum direito sobre o assunto, Garcia afirma que há vários acionistas avaliando a hipótese de entrar com processos no Brasil e nos Estados Unidos contra a capitalização da Petrobras.

E não é apenas o risco de diluição que os acionistas enfrentam ao decidir participar da oferta primária de ações. No prospecto, a própria companhia lembra que acionistas poderão não receber dividendos ou juros sobre capital próprio e que existe a possibilidade de que não haja "recursos suficientes para o desenvolvimento dos reservatórios do pré-sal que o Governo Federal já nos tenha licenciado ou que venha a nos licenciar no futuro", disse a empresa.

Avaliação

No entanto, ainda que pesem as inúmeras críticas, existe uma clara percepção entre os analistas de que, terminado o processo de capitalização, as ações da Petrobras podem voltar a subir e, desse modo, impulsionar o Ibovespa. Além disso, após perder um quarto do valor de mercado em função das incertezas do processo e do panorama instável para os mercados acionários globais, a administração da companhia vê capacidade de posicionamento da estatal no topo do mercado. 

De acordo com Gabrielli, o contrato  de cessão onerosa com o governo aumenta em 35% as reservas provadas da estatal, fortalecendo o crescimento da produtividade de maneira sustentável e abrindo novas "estradas" para a Petrobras, que poderá alcançar a posição de maior produtora de óleo e gás entre as grandes empresas do setor.

Com isso, nem todos são tão drásticos ao avaliar a capitalização. 10,69% dos leitores, por exemplo, deram nota cinco ao processo, enquanto 9,33% dos entrevistados responderam que a condução merece nota 10, de acordo com dados obtidos em enquete, através da página na internet da InfoMoney, feita com 2.283 usuários. 

Confira o resultado da avaliação:

 Que nota você dá para a condução do
processo de capitalização da Petrobras?
RespostasNúmero de votos%
0 946 41,44%
1 88 3,85%
2 167 7,31%
3 80 3,50%
4 176 7,71%
5 246 10,69%
6 118 5,17%
7 105 4,60%
8 96 4,20%
9 50 2,19%
10 213 9,33%
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