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14/09/2010 - 17h08

Brasil continua com o segundo maior spread do mundo

SÃO PAULO - Pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial mostrou que o spread bancário (diferença do custo do dinheiro captado e ofertado pelas instituições financeiras) do Brasil continua sendo o segundo maior do mundo, perdendo novamente apenas para o Zimbábue.

No Brasil, o spread passou de 35,6 pontos percentuais em 2008 para 35,4 pontos percentuais em 2009, maior do que o registrado em outros 136 países, enquanto que no Zimbábue o indicador ficou em 75 pontos percentuais no ano passado.

Os dados são do relatório de competitividade global, estudo divulgado no dia 9 de setembro e que compreende vários indicadores distintos, como dados de crescimento econômico, mas também de saúde e usuários de internet.

Motivos

De acordo com o economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, diversos fatores mantêm o Brasil quase na liderança dos maiores spreads do mundo.

"Você tem custos tributários altos, burocracia, depósitos compulsórios, taxa de inadimplência mais elevada que o normal e uma parcela de lucros dos bancos que ninguém pode se queixar".

Além disso, ele explicou que falta no Brasil uma concorrência mais acentuada entre bancos. "O setor é concentrado. Em países como os Estados Unidos, tem uma concentração entre os grandes, mas têm milhares de pequenos bancos. No Brasil, se imaginava que, com a entrada de estrangeiros, poderia diminuir o spread, mas ele se manteve". 

Solimeo disse ainda que é preciso considerar que a inflação no Brasil ainda é alta, de 4,9% ao ano, de acordo com a pesquisa do Fórum Econômico Mundial, sendo a 93ª maior do mundo.

"Com a inflação alta, o banco tem de buscar resultado que cubra a inflação e ainda dê lucro". O economista disse ver um horizonte de queda dos spreads, mas não no curto prazo.

Maiores spreads

Para se ter uma ideia, na Holanda, onde há o menor spread do mundo, a taxa é de -0,6 ponto percentual. No Reino Unido, a diferença entre custo de captação e de empréstimo de dinheiro pelos bancos é de 0,2 ponto percentual, enquanto no Irã é de 0,3 ponto percentual. Na tabela abaixo, é possível identificar os maiores e os menores spreads bancários do mundo:

Taxa média de spread
País Maiores taxas País Menores taxas
Zimbábue 75 pontos percentuais Holanda -0,6 ponto percentual
Brasil 35,4 pontos percentuais Reino Unido 0,2 ponto percentual
Madagascar 33,2 pontos percentuais Irã 0,3 ponto percentual
Paraguai 27,2 pontos percentuais França 0,7 ponto percentual
Malauí 21,8 pontos percentuais Eslováquia 0,8 ponto percentual
Fonte: Fórum Econômico Mundial 

Quando analisados os demais integrantes do Bric, a China tem um spread de 3,1 pontos percentuais, sendo a melhor colocada, seguida da Índia (5,2 p.p.) e da Rússia (6,7 p.p.).

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