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17/03/2011 - 19h02

Conheça as principais taxas e tarifas cobradas de quem investe em ações

SÃO PAULO - Taxas de corretagem, custódia, emolumentos. Se você investe em ações, já deve ter ouvido falar dessas cobranças e com certeza já teve o desconto delas em sua conta corrente. Mas você sabe exatamente pelo que está pagando?

As taxas e tarifas são cobradas pelas corretoras e também pela própria BM&FBovespa ou pela CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), pela intermediação e pelos serviços prestados nas transações feitas no mercado acionário.

A maioria das taxas, como os emolumentos e as taxas de corretagem, são cobradas no momento da própria ordem, ou seja, já são descontadas do lucro da operação (se houver) ou diretamente da conta do investidor, em caso de prejuízo. Já a taxa de custódia é geralmente cobrada mensalmente e também debitada diretamente da conta do investidor.

Confira quais são as principais taxas, como e porque elas são cobradas:

Taxa de custódia
De acordo com o gerente do INI (Instituto Nacional de Investidores), Paulo Portinho, as ações podem ser custodiadas (guardadas) nos bancos ou diretamente na CBLC.

Segundo ele, a maior vantagem de ter as ações custodiadas pela CBLC é operar pelo “sistema bolsa”, que é mais rápido e tem muito mais agilidade nas transações. “Se você deixar as ações custodiadas no próprio banco, a venda pode demorar até meses”, diz Portinho.

O especialista lembra que, assim como na corretagem, existem instituições que isentam o cliente da taxa de custódia (mediante alguma outra compensação) e outras que cobram até R$ 30,00 mensalmente.

Ele também ressalta que muitas vezes as corretoras que cobram preços mais elevados embutem vários serviços que podem ou não ser do interesse do investidor. “Essa percepção só ficará clara quando o mesmo desenvolver habilidade suficiente para distinguir o que lhe é realmente importante”, aponta.

Taxa de corretagem
Outra taxa importante, de acordo com o especialista, é a taxa de corretagem, cobrada pela corretora como pagamento pela intermediação dos negócios. Essas taxas também podem variar bastante de corretora para corretora.

De acordo com o especialista, 2% de corretagem variável deve ser considerado o máximo aceitável para um investidor iniciante. Dessa forma, Portinho afirma que na hora de escolher entre corretagem fixa ou variável, é importante considerar a expectativa de movimentação para que os custos não sejam maiores sem necessidade.

“A conta precisa é um pouco complexa, mas pode ser aproximada por algo bem simples. Se sua corretora tem um valor fixo de R$ 15,00 por operação, o divisor de águas é R$ 750,00 por operação (R$ 15 equivale a 2% de R$ 750). Se for operar sempre com valores superiores a esse, a corretagem fixa é mais vantajosa. Se for operar sempre abaixo, a corretagem variável vai ser a mais indicada”, ensina.

Emolumentos
Os emolumentos são um percentual cobrado pela BM&FBovespa e pela CBLC sobre o volume movimentado no dia e variam em função do tipo de operação realizada. Nos casos de day trade (transações iniciadas e concluídas no mesmo dia), a taxa é de 0,025% . Já nas demais operações no mercado à vista, o investidor paga 0,0345% de emolumentos.

“Os emolumentos são um percentual pequeno, então, quem opera com valores baixos muitas vezes nem percebe o pagamento. Mas, nos casos de transações de valores muito altos, o investidor pode pagar mais de emolumento do que de taxa de corretagem, se ela for fixa”, diz Portinho.

Concorrência x taxas
O educador financeiro e fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil, aponta que tanto a taxa de corretagem quanto a de custódia são de livre negociação das corretoras e algumas vezes elas podem estar inseridas em pacotes de tarifas cobradas pelas instituições.

De acordo com o educador, as corretoras têm tentado atrair cada vez mais clientes cobrando preços mais atrativos. “Para o cliente isso é ótimo. Mas as corretoras padecem com isso, já que muitas vezes os valores cobrados não são suficientes para cobrir os custos”, diz. Por isso, para ele, a tendência é que, no médio prazo, ou sejam criadas novas tarifas ou as que já existem sejam aumentadas", acredita.

Qualidade do serviço
Segundo Calil, o investidor deve se preocupar mais com o serviço oferecido pela corretora do que com o valor das tarifas propriamente dito. “Isso não quer dizer que o barato não possa ser bom. O que quero dizer, é que o caro pode ter um custo/benefício melhor”, aponta.

Para exemplificar, Calil se recorda de uma situação ocorrida com ele mesmo. “Estava operando vendido*, antes do Brasil conseguir o Investment Grade (grau de investimento). No dia que uma das agências de classificação de riscos concedeu o grau de investimento ao País, eu estava no carro, viajando. Meu assessor me ligou na mesma hora para que eu zerasse as posições. Com isso, evitei um prejuízo muito maior, já que a bolsa subiu muito a partir daí. Ou seja, um serviço de assessoria bem feita, mesmo que às vezes custe mais caro, pode valer muito mais a pena”, afirma.

* Para explicar: quando "opera vendido", o investidor está apostando na baixa das ações ou de um determinado tipo de ativo. Neste caso, se elas subirem, o investidor tem prejuízo, como aconteceu com Calil.

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