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08/04/2011 - 18h20

Títulos do governo, de empresas ou de bancos: quando cada um é indicado?

SÃO PAULO – Os títulos de renda fixa costumam ser uma alternativa conservadora para os investidores que não querem arriscar muito, mas procuram uma rentabilidade atrativa.

Entre as opções disponíveis no mercado, existem os títulos públicos, os bancários e os privados e cada um deles possui características específicas.

Títulos públicos
Os títulos públicos têm como finalidade a captação de recursos para o financiamento da dívida pública e outras atividades do Governo Federal, como educação, saúde e infra-estrutura.

O Tesouro Direto é uma maneira que os investidores possuem de investir em títulos públicos de forma mais fácil e rápida, com valores acessíveis. “A partir de R$ 100 já é possível comprar títulos do Tesouro Direto”, diz o diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella.

Para o professor de finanças da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São paulo), Waldomiro Piedade, a principal vantagem dos títulos públicos é a facilidade operacional do investimento. “Uma das maiores vantagens é que temos vários títulos que permitem aplicação direto pela internet”, aponta.

De acordo com Sérgio Quintella, a rentabilidade dos títulos públicos é bastante atrativa para os investidores de varejo. “As taxas que são aplicadas nos títulos públicos são comparáveis àquelas disponíveis apenas no segmento private de grandes bancos. Então é uma opção muito interessante”, diz.

Mas, apesar disso, segundo Quintella, o investidor precisa verificar as taxas de administração cobrada pelas corretoras. “Existe uma taxa de 0,35% cobrada pelo próprio Banco Central. Somada a esta taxa, o total cobrado pela instituição não pode passar de 0,7%”, afirma o especialista.

De acordo com ele, é importante pesquisar, pois existem corretoras que cobram taxas muito maiores. “Há instituições que cobram até 3% ao ano, mas aí não vale a pena”, afirma.

Ainda segundo o  profissional, os títulos públicos são recomendados para aplicações de pelo menos alguns meses. “Quando falamos em Tesouro Direto, costumamos recomendar um prazo de pelo menos seis meses para investimento”, aponta Quintella.

Títulos de bancos
Já para aplicações de prazo menor, como um ou dois meses, uma alternativa interessante é o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que é considerado um título de banco.

“Nos casos em que o investidor sabe que vai precisar do dinheiro em pouco tempo, para comprar um carro ou fazer algum outro tipo de negócio, o CDB é uma boa opção”, afirma o diretor da Valore.

Os CBDs são títulos de renda fixa emitidos pelos bancos e vendidos para o público como forma de captar recursos. “No fundo é como se fosse um empréstimo para o banco”, aponta o professor da PUC-SP.

Ao adquirir um CDB pós-fixado, o investidor recebe a remuneração com base no CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “O percentual do CDI vai variar de um banco para o outro”, ressalta Piedade.

De acordo com Quintella, é importante pesquisar entre as instituições para conseguir um melhor rendimento. “Temos casos de CDB pagando de 87% do CDI até 112%”, diz o profissional.

Já no caso do CDB prefixado, o investidor fica sabendo no ato da aplicação qual será o rendimento bruto do investimento. Isso porque a taxa contratada é mantida independentemente da oscilação da taxa de juros do mercado financeiro.

IOF
Para os investidores que optam pelo CDB, também é importante se atentar para a cobrança de IOF (Imposto sobre Movimentações Financeira).

“O IOF é cobrado no caso de aplicações com prazo menor do que 30 dias”, ensina Quintella. “É cobrado 98% de IOF sobre o rendimento a partir do segundo dia de aplicação e esse percentual vai caindo até zerar depois de um mês”, completa o especialista.

FGC
Outro ponto importante é que as aplicações em CDB são garantidas pelo Fundo Garantidor de Crédito. “Todo investimento em CDB de até R$ 70 mil possui esta garantia”, afirma o diretor da Valore.

Segundo ele, é comum que os investidores fiquem receosos de colocar um valor muito alto de investimento em um banco, principalmente os de médio porte. “É sempre importante escolher bem a instituição e pesquisar. Mas, existe também esta garantia para os investimentos de até R$ 70 mil”, ressalta.

Títulos privados
Uma opção menos conhecida do investidor de varejo, mas que também pode garantir bons rendimentos, são as debêntures, títulos privados emitidos pelas companhias como forma de captação de recursos.

De acordo com o professor da PUC, os principais compradores de debêntures ainda são grandes investidores institucionais, como os  fundos de pensão. “Geralmente são aplicações de valores maiores”, aponta Piedade.

Mas, segundo Quintella, já existem opções de menor valor que atendem ao pequeno investidor. “Conseguimos debêntures do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) a partir de R$ 2 mil”, afirma.

De acordo com Piedade, o investidor que optar pelas debêntures precisa pensar em um horizonte maior. “No caso de debêntures, o prazo para resgate costuma ser entre três e oito anos”, diz o professor.

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