
SÃO PAULO – O acordo alcançado entre os ministros das Finanças da Zona do Euro, na madrugada de terça-feira (21), com o objetivo de garantir a segunda parcela do pacote de € 130 bilhões para a Grécia foi importante para remover o risco de um default desordenado do país em março, avalia o banco britânico LLoyds Bank.
“Embora o acordo elimine esse risco imediato, suspeitamos que ainda é muito aquém do necessário para garantir sustentabilidade para a dívida grega no médio prazo. Além disso, os riscos de implementação ainda continuam altos com o progresso do acordo com os credores privados, a proximidade das eleições e a necessidade contínua de executar reformas estruturais em um momento de contração econômica e a insatisfação da população”, na opinião do diretor da área de pesquisas global do banco, Jeavon Lolay.
O LLoyds Bank acredita que o PIB (Produto Interno Bruto) grego irá contrair em até 6% neste ano, mas constata que a performance da economia da Grécia será crucial para o cumprimento das metas estabelecidas para garantir o socorro financeiro ao país. O banco ainda afirma que a queda da relação dívida/PIB para 120,5% até 2020 é muito otimista, em meio as fracas projeções econômicas gregas.
Contas separadas
A principal diferença para este segundo resgate é o comprometimento legal grego requisitado para separar as despesas ligadas à dívida do país dos gastos regulares. No entanto, Lolay afirma que este fato tem como objetivo proteger os credores do país e não serve como garantia contra um default.
O documento do acordo firmado entre os ministros europeus afirma que a presença permanente de uma comissão da União Europeia é essencial para monitorar e coordenar as reformas demandadas. Fato do qual duvida o Lloyds Bank, principalmente por conta da possibilidade do próximo governo contar com uma coalizão fragmentada, o que pode aumentar os riscos políticos.
Terceiro pacote será necessário
O diretor da área de pesquisas globais do banco ainda acredita que um terceiro socorro financeiro será inevitavelmente necessário bem antes do fim do programa de auxílio à Grécia. “Se não houver acordo para uma próxima ajuda, então o risco de um default desordenada e uma possível saída do país da Zona do Euro é grande. Ao contrário do imaginado pelo mercado, acreditamos que isso pode ter ramificações com peso significativo para o bloco com a ameaça de contágio para os países periféricos”, constata o LLoyds Bank.
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