
SÃO PAULO - Portugal deve voltar ao foco do mercado financeiro após a aprovação do resgate à Grécia na última terça-feira (21). A opinião é do Commerzbank, que alerta sobre a necessidade de o país da península ibérica necessitar também de uma segunda parcela do auxílio já em 2013.
Para o economista Ralph Solveen, os portugueses devem ter problemas em conseguir alcançar as metas de redução do déficit público neste ano e no próximo. Primeiro, porque a economia já se encontra em contração forte, o que aumenta a proporção do indicador frente ao PIB (Produto Interno Bruto). E segundo porque, com menos investimentos e demanda menores, a atividade fica comprometida.
Por fim, o banco alemão pede algumas reformas mais estruturais no mercado de trabalho do país. Primeiro, o desemprego deve aumentar consideravelmente com os cortes na máquina estatal e a produção mais contida. Mas Portugal precisaria, de acordo com o relatório, investir em capacitação de sua força de trabalho.
Objetivos de déficit
As contas governamentais são esperadas pelos líderes em 4,5% do PIB em 2012. Mesmo se mantendo em estabilidade frente ao ano passado, esse objetivo é, para Solveen, “muito ambicioso”. Já para o ano seguinte, a meta é de chegar a 3%, com pacotes adicionais de 2% das riquezas em ajuste fiscal.
O problema é que essa austeridade atrapalha o alcance do menor déficit. Com problemas também na oferta de crédito, e na competitividade do seu custo de trabalho, adicionar maior flexibilidade para empregadores em termos de demissões e redução de pagamentos, como é esperado, já ajudaria em uma melhora, diz o Commerzbank.
Modelo industrial perdeu força
Durante a década de 1990, a baixa qualificação da mão de obra portuguesa era compensada por salários baixos. Mas o economista explica que, depois que o país atraiu um grande volume de investimentos e havia oferta de emprego alta, esses rendimentos subiram, fazendo com que o pagamento não fosse compensado.
Em Portugal, aproximadamente 70% da força de trabalho não tem um treinamento vocacional, contra uma média de 27% da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Além disso, apenas 12,5% do bruto da produção local é industrial, sendo muito focada em consumo de alimentos e produtos intermediários - cuja competição está acirrada com o resto da Zona do Euro.
Assim, tentar aumentar essa proporção de manufaturados e reformar o sistema educacional superior e técnico seriam primordiais para os portugueses alcançarem a sustentabilidade econômica no médio prazo. O Commerzbank já vê algum avanço - 15% dos cidadãos entre 25 e 64 anos tem diploma universitário -, mas ainda há espaço para melhora.
De qualquer jeito, Solveen afirma que as chances do país se segurar por suas próprias pernas, como é o desejável na união monetária, são muito maiores do que as da Grécia ou da Itália. Além disso, caso países como a França também não realizem reformas, podem ser os próximos no radar dos investidores, causando novos momentos de turbulência.
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