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03/10/2012 - 09h35

Período sabático: com planejamento é possível passar meses curtindo a vida

SÃO PAULO: Há quem defenda que o provérbio chinês que garante que, para uma pessoa se sentir completa, ela precisa plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, deveria conter ao menos mais um item: fazer uma viagem sabática. 

Entende-se por período sabático a pausa profissional que muitas pessoas fazem com o intuito de se dedicar a atividades prazerosas, que levem a um maior conhecimento pessoal, como viajar, estudar ou escrever um livro. 

No entanto, ficar um tempo sem trabalhar, apenas se dedicando ao estudo e ao lazer, parece uma utopia, possível apenas para grandes executivos, para quem dinheiro já não é um problema. Mas, de acordo com o economista da Way Investimentos e chefe de Finanças da ESPM-RJ, Alexandre Espirito Santo, essa é sim uma prática possível ao trabalhador comum. O segredo é apenas um: o planejamento financeiro. 

“Cada vez mais pessoas comuns estão conseguindo tirar seu período sabático, mas é preciso planejamento. Decidir a data e o período sabático, quanto vai ser necessário juntar e qual é a melhor estratégia para alcançar o valor pretendido dentro do período estimado são os primeiros passos. Em seguida é preciso comprometimento para poupar todos os meses o valor necessário. Quem conseguir cumprir essas etapas certamente poderá desfrutar de um tempo para fazer apenas o que lhe dá prazer.”, garante o economista que, dentro de cinco anos, pretende passar 365 dias viajando e escrevendo poesia. 

Na prática
A jornalista Lívia Andrade é a prova de que não só os milionários podem se dar um período de “dolce far niente”. Descontente com a vida que levava - “vivia para trabalhar, numa grande correria, sem qualidade de vida ou tempo para a família e amigos” – ela resolveu tirar três meses sabáticos para parar e pensar. Decidiu então ir para a Inglaterra, onde ficou hospedada com parentes. “O fato de não ter que pagar hospedagem facilitou bastante. Por ser econômica, eu não precisei de muito tempo de planejamento. Uma vez que decidi passar um período sabático, peguei mais e bons trabalhos. No total, eu viajei com as economias de três meses”. 

A executiva de mídia Joana Rodrigues também conseguiu tirar seu período sabático: seis meses no Reino Unido. A publicitária conta que planejou a viagem por bastante tempo, e o cuidado minucioso com a parte financeira garantiu o sucesso da experiência. “O planejamento financeiro foi uma grande preocupação e comecei a fazê-lo em 2008. A viagem ocorreu em 2011 e consegui pagar o curso que eu desejava fazer e as passagens antes de ir. Também consegui reunir a quantidade necessária para gastar com aluguel, alimentação, viagens e compras. Quando extrapolava em um mês, segurava no outro”. 

Ambas contam que, além do valor para o sabático em si, outra grande preocupação era ter dinheiro para quando voltassem ao Brasil. “Essa era uma preocupação e tanto. Mesmo porque tinha decidido que não voltaria a morar em São Paulo, queria tentar a vida de jornalista fora dessa megalópole e, assim que cheguei, me mudei para o interior. O que fiz foi juntar uma boa reserva para me manter quando voltasse. Além disso, investi minha reserva em fundos de curto prazo para ter lucros ao voltar. Deu certo”. 

Já Joana viveu uma situação diferente: conseguiu negociar uma licença de seis meses na empresa onde trabalhava e voltou para o País com emprego garantido. “Ter dinheiro na volta era uma grande preocupação, mas, como fui com uma data certa para voltar a trabalhar, reservei dinheiro somente para esse mês de retorno. Com certeza esse acordo me garantiu uma volta muito mais tranquila. Até porque fazer uma reserva seria difícil, gastei todas as minhas economias e investimentos para viver essa experiência”. 

Alexandre Espirito Santo afirma que quem não tem o emprego garantido na volta precisa incluir no planejamento um valor suficiente para se bancar até conseguir um reposicionamento no mercado de trabalho. “O legal é planejar um período sabático de um ano e ficar apenas oito meses parado. Assim você tem um período com recursos para buscar uma nova colocação”, aconselha. E completa: “para os jovens que estão começando a planejar um período sabático, uma boa estratégia é colocar parte do dinheiro em ações, principalmente de empresas que pagam dividendos. Assim, depois que voltar, é possível conseguir se manter um tempo com os dividendos acumulados. Quem tem objetivo de longo prazo - quer tirar um sabático dentro de dez anos, por exemplo - pode ter pelo menos 30% do dinheiro alocado em boas pagadoras de dividendos. Tudo é fruto de um planejamento financeiro e de pensar no futuro”. 

Objetivo atingido
O esforço parece valer a pena. Pelo menos é o que garante quem viveu a experiência. “Minha vida mudou muito após a viagem. Sair de São Paulo foi uma grande guinada, consegui um emprego fixo que me deu a tranquilidade de saber que todo mês eu tenho um valor fixo entrando na conta. Financeiramente, este é meu melhor período”, conta Lívia. 

Joana também só elogia o período sabático: “Percebo que cresci muito, que o tempo que tirei para mim me ajudou a crescer tanto pessoal quanto profissionalmente. Financeiramente acabei com todas as minhas economias, mas faria tudo de novo. Voltei muito melhor do que fui, em todos os sentidos, até na minha maneira de encarar a vida”. 

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