! Em Portugal, FHC defende maior supervisão financeira - 07/05/2009 - Lusa - Economia
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07/05/2009 - 15h17

Em Portugal, FHC defende maior supervisão financeira

Lisboa, 7 mai (Lusa) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta quinta-feira, em Portugal, a criação de um banco central de bancos centrais e uma forma de regulação e supervisão financeira.

Orador convidado das Conferências do Estoril, na região de Lisboa, abordou a atual crise financeira mundial, afirmando que a "saída para a crise (...) será um sistema que não vai ser igual ao atual ou a nenhum anterior".

"Não pode ser igual. Vai ser alguma coisa de diferente. Não só porque provavelmente a economia se vai arrastar por muito tempo sem uma força que a faça recuperar, mas também porque vai ter de ser criada alguma forma de regulação", disse.

"Tem que haver um banco central de bancos centrais e a Reserva Federal dos Estados Unidos da América [Federal Reserve, banco central norte-americano] não pode assumir essa posição porque isso seria uma ingerência na soberania dos outros países", afirmou.

Para Fernando Henrique, isso "não tem cabimento, tem que haver outra coisa". "No fundo, vamos assistir, nas próximas décadas, se tudo funcionar, a uma renegociação do poder no mundo. Espero que sem guerra".

Além disso, afirmou que deve haver uma "reflexão maior sobre que tipo de cultura se pretende ter" e quais os valores a seguir. "Precisamos também compreender que não é bom impor o nosso modelo cultural a outras comunidades".

Dinâmica da crise O ex-presidente traçou um panorama dos acontecimentos que podem ter provocado a atual crise mundial, fazendo uma reflexão geral para colocar em perspectiva a diferença entre a crise atual e outras anteriores.

"É uma banalidade afirmar que o sistema capitalista se move por crises", disse, ressaltando, no entanto, que todas elas têm uma dinâmica semelhante.

Como exemplo, citou a crise das tulipas na Holanda no século 17, período em que a flor atingiu valores astronômicos e depois sofreu forte queda, derrubando a economia do país.

"Se formos ver o mecanismo pelo qual a crise das tulipas na Holanda desencadeou o pânico mundial, chegaremos à conclusão de que não é muito diferente dos vários pânicos a que temos assistimos posteriormente", disse.

"O que aconteceu mais recentemente na questão dos empréstimos para compra de casa (subprime morgage) nos Estados Unidos, teve um efeito semelhante ao da crise das tulipas, mas com uma dimensão muito maior", afirmou.

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