! Norte-americanos fornecerão fibra ótica para mercado luso - 08/05/2009 - Lusa - Economia
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08/05/2009 - 11h35

Norte-americanos fornecerão fibra ótica para mercado luso

Por Paulo Rêgo, da Agência Lusa

Corning, EUA, 8 mai - A Portugal Telecom (PT) anunciou um acordo com a multinacional norte-americana Corning para o fornecimento da fibra ótica, que em Portugal substituirá a transmissão de dados multimídia, hoje feita por fio de cobre (ADSL) ou por cabo.

O presidente da PT, Zeinal Bava, que se deslocou a Corning, 400 quilômetros a noroeste de Nova York, mantém em segredo os valores envolvidos neste negócio, que alguns especialistas em Portugal estimam poder atingir os 2,5 bilhões de euros.

Sinteticamente, a fibra ótica é um tubo de vidro por onde passam lasers que carregam arquivos de informação a velocidade da luz, permitindo uma largura de banda com capacidade para 100 megabytes por segundo, tecnologia que permite a passagem de um arquivo com duas horas de vídeo em cerca de dois minutos.

Quando hoje em dia se envia ou recebe um email em Portugal, caso o servidor esteja nos Estados Unidos, essa mensagem é encaminhada através da fibra ótica, que liga os dois continentes por cabos submarinos.

A PT recebe também por fibra ótica a informação, que é distribuída por centrais localizadas, também elas já ligadas por fibra ótica.

O que falta então fazer é ligar essas centrais às casas dos consumidores e é esse o projeto para o qual Zeinal Bava escolheu um parceiro tecnológico de ponta, liderado por Wendell P. Weeks, descrito em Corning como o principal conselheiro tecnológico de Barack Obama.

Luís Alveirinho, um dos responsáveis da PT por este projeto, estima que a implantação da fibra ótica em Portugal possa levar "cerca de cinco anos" a partir do momento em que se tome a decisão de avançar para fazer chegar a fibra ótica a "cinco milhões de casas".

Embora haja diretivas comunitárias que empurram a Europa para a fibra ótica, há ainda muitas dúvidas nos mercados europeus e discussões com as entidades reguladoras sobre um investimento massivo, cujo retorno financeiro terá de ser garantido pelo aumento dos custos ao consumidor.

Nos EUA

Nos Estados Unidos, a fibra ótica começa a ganhar terreno, mas a conta mensal do consumidor americano estabilizou em torno dos US$ 100 mensais, contra os cerca de 50 euros que em Portugal permitem hoje assinaturas de plataformas como a da Meo.

Mais do que a simples compra de fibra óptica, a PT procura numa pequena cidade de 20 mil habitantes um parceiro tecnológico que lidera os mercados mundiais de monitores para televisões e computadores, ou ainda os catalisadores para controle de emissão de dióxido de carbono nos automóveis.

Há mais de 150 anos, Thomas Edison atravessou uma pequena ponte e bateu à porta da Corning, com o sonho de democratizar a eletricidade, que acabara de descobrir. Encontrou uma empresa habituada a lidar com cientistas e com uma atitude proativa, que lhes permitiu encontrar a fórmula para a fabricação da lâmpada.

Nasceu assim um pequeno império, cujo nome se confunde com a cidade que o acolhe, e que hoje emprega 30 mil pessoas em todo o mundo, com um volume de negócios próximo dos US$ 6 trilhões.

Cerca de 10% da receita bruta da Corning é anualmente aplicada em pesquisa, o que leva os seus responsáveis a acreditar estarem já na posse de algumas das patentes que vão revolucionar a comunicação nos próximos 20 anos.

Um desses exemplos é uma tecnologia lançada na semana passada, que consiste na projeção de dados multimídia, em qualquer superfície, a partir de um telefone celular equipado com uma luz verde que garante essa projeção.

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