! 'É muito difícil compreender a China', diz Nobel Paul Krugman - 12/05/2009 - Lusa - Economia
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12/05/2009 - 08h15

'É muito difícil compreender a China', diz Nobel Paul Krugman

Pequim, 12 mai (Lusa) ? O Nobel da Economia Paul Krugman concordou que "para avançar, a China precisa aumentar a demanda interna", mas reconheceu ter "dificuldade" em compreender aquele país, revelou nesta terça-feira a imprensa oficial chinesa.

"A China é um país onde compreender o que está realmente a acontecer é mais difícil do que nos outros países", disse Krugman numa das quatro conferências que realizou segunda e terça-feira em Pequim e Xangai.

Foi a primeira visita de Krugman à China e segundo o jornal oficial de língua inglesa, China Daily, o bilhete mais barato para assistir a uma das suas conferências custou 5,8 mil yuans (R$ 1,76 mil no câmbio atual) ? o equivalente ao salário de um professor um professor universitário.

Krugman, 56 anos, premiado pela Academia Sueca em 2008, manifestou-se muito preocupado com a crise econômica global e admitiu que o mundo esteja a entrar numa "prolongada recessão".

"Não faço ideia nenhuma qual será a fonte do próximo boom. De fato não sei. Estou muito preocupado que tenhamos uma prolongada recessão", afirmou.

Sobre o elevado déficit comercial norte-americano em relação à China, Krugman afirmou que "os Estados Unidos viveram muito tempo acima dos seus meios", mas considerou que isso não pode durar e que as exportações chinesas não podem contar com o mesmo crescimento que registraram até agora.

"Para avançar, a China precisa gerar mais demanda interna e os Estados Unidos necessitam de funcionar com um déficit mais pequeno", disse.

As exportações chinesas têm diminuído desde novembro, e a queda registrada em fevereiro passado (25,7 %) foi mesmo a pior em mais de uma década.

Para compensar, o governo chinês tenta incentivar o aumento da demanda interna, o que oficialmente tem acontecido.

O aumento é particularmente acentuado nos investimentos públicos em grandes infra-estruturas, que nos primeiros quatro meses deste ano subiram 30,5% em relação a igual período de 2008.

Segundo o Banco Mundial, a economia chinesa deverá crescer este ano 6,5% ? o mais baixo em quase duas décadas ?, mas o governo chinês espera atingir 8%, apenas um ponto percentual a menos do que em 2008.

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