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12/05/2009 - 10h53

Pessimismo cresce nas previsões de crescimento para Angola

Por Ricardo Bordalo, da Agência Lusa

Luanda, 12 mai (Lusa) - O ano de 2009 vai ser de forte desaceleração da economia angolana, levando-se em consideração as previsões dos organismos internacionais com maior credibilidade, que indicam que a "culpa" maior é da queda do petróleo nos mercados internacionais.

Um dos primeiros alertas partiu do Banco Mundial com o relatório de janeiro, assinado pelo seu economista chefe em Luanda, Ricardo Gazel, que afirmou que Angola pode sofrer contrações em 2009 "pela primeira vez nos últimos anos", devido ao recuo "dramático" das receitas petrolíferas.

Ainda em janeiro, a Economist Intelligence Unit (EIU), agregada a revista inglesa The Economist, defendia que a economia angolana vai encolher este ano, devido à quebra acentuada da produção e do preço do petróleo, destacando que poderá voltar a crescer em 2010.

A EIU esperava que "o efeito combinado de menores receitas das exportações petrolíferas, quebra no investimento estrangeiro e desaceleração do investimento público arrastasse o PIB real para um crescimento negativo pela primeira vez desde 1993".

Garantia

Aos indícios de que a crise mundial iria afetar a economia do país, o governo angolano, através do ministro da Economia, Manuel Nunes Júnior, logo no início de fevereiro, dava públicas garantias de que, mesmo em desaceleração, o crescimento angolano iria ficar acima dos 3%.

Júnior justificou a previsão com um aumento do PIB per capita, tendo em conta que o crescimento demográfico previsto se situa abaixo de 3%.

Embora o Conselho de Ministros tenha aprovado, entretanto, um plano anticrise que visa, entre outros objetivos, o congelamento dos investimentos não prioritários na área do programa de reconstrução nacional, delineado após o fim da guerra civil, em 2002.

Ainda em Março, era a vez de o banco português BPI, através de um estudo, defender que a economia angolana deverá recuar 3% neste ano, em vez do crescimento de 11,8% inicialmente previsto por Luanda.

As previsões do gabinete de estudos econômicos do BPI eram, naquele momento, mais negativas que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), que, em outubro de 2008, previa uma evolução de 4%, mas já admitiu, posteriormente, que a economia angolana pode não crescer.

Queda do petróleo

Em abril, o Banco Mundial (BM) voltava a lembrar que o setor petrolífero gerou receitas de US$ 3 bilhões por mês, entre janeiro e outubro de 2008, descendo depois este valor para metade em novembro e dezembro, chegando em janeiro deste ano a menos de US$ 900 milhões.

Seguindo a linha das previsões negativas para o desempenho da economia angolana, já esta semana a OCDE, num relatório elaborado em conjunto com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD), estima um crescimento negativo de 7,2%. Razão: o petróleo, mais uma vez.

Se em relação às anteriores previsões, o ministro da economia angolano destacava a convicção de Luanda de que o crescimento para 2009 vai permanecer acima dos 3%, confrontado pela Agência Lusa sobre as previsões da OCDE e do BAfD, Nunes Júnior optou por não comentar.

No entanto, tal como em todas as previsões anteriores elaboradas por organismos internacionais, também a OCDE e o BAfD apontam para 2010 o regresso a um crescimento positivo, desta feita de 9,3%.

Angola é um dos maiores produtores de petróleo africanos e o mais importante da África subsaariana com 1,6 milhões de barris/dia, devido a imposições da OPEP, já que seu potencial, segundo explicou Manuel Nunes Júnior em Londres, Inglaterra, é de 2,1 milhões.

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