! Lusos investigam tentativa de transferência de US$ 50 bi - 17/05/2009 - Lusa - Economia
UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

17/05/2009 - 10h48

Lusos investigam tentativa de transferência de US$ 50 bi

Lisboa, 15 mai (Lusa) - As autoridades portuguesas estão investigando uma tentativa de transferência de US$ 50 bilhões a partir do JP Morgan Chase, nos EUA, para Portugal, naquela que, se resultasse, seria a maior fraude de todos os tempos no país.

A operação foi tentada por uma mulher não identificada, que apresentou num banco em Lisboa um contrato de transferência interbancária, ao qual a Lusa teve acesso, que previa uma movimentação de 36,4 milhões de euros na primeira operação.

O documento levantou fortes suspeitas sobre a legalidade da operação que se pretendia concretizar, quer pelo modo de atuação da mulher, quer, sobretudo, pelo elevado montante envolvido.

Fonte oficial do Ministério Público disse à Lusa que "o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) está a proceder à recolha de elementos sobre o assunto".

O Banco de Portugal também investiga o caso, segundo fonte oficial, que esclareceu que "o processo seguiu para o departamento de supervisão" da instituição liderada por Vítor Constâncio, confirmando ainda que os moldes do caso são semelhantes a outras tentativas de fraude detectadas pelas autoridades em Portugal.

A Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária (PJ) também está ciente do processo. Contatada pela Lusa, fonte oficial da PJ disse que, no entanto, "não se considera oportuno o comentário sobre situações concretas", recusando-se a divulgar dados sobre situações do gênero detectadas nos últimos anos em Portugal.

Quanto ao valor envolvido, é de longe muito superior a qualquer outro caso semelhante alguma vez detectado em Portugal, confirmaram à Lusa o supervisor dos bancos.

Mesmo não existindo um limite definido para fazer transferências de dinheiro de Portugal para o exterior e vice-versa, o montante é de tal forma elevado que daria para fazer cinco linhas de trem de alta velocidade em Portugal ou dez aeroportos de Lisboa.

Se a operação fosse realizada, seria transferido para Portugal duas vezes o valor das 20 maiores empresas portuguesas em bolsa. "Uma quantia nunca vista, seja no mercado português ou em qualquer praça de referência do mundo", comentou uma fonte bancária à Lusa. De fato, não é todos os dias que se transferem US$ 50 bilhões de um país para o outro e, como citou outra fonte de mercado, "até parece brincadeira. O valor é completamente anormal".

O contrato swift [troca direta entre bancos] previa a transferência daquele montante entre o banco norte-americano, o JP Morgan Chase Manhattan Bank, e a instituição portuguesa, com uma taxa cambial pré-definida e fixa de 85 euros para cada US$ 100 (avaliando cada euro em US$ 1,17 - abaixo dos US$ 1,36 a que o euro tem sido negociado no mercado cambial).

A transação seria realizada em várias operações, com a primeira fixada em US$ 49,5 milhões (36,4 milhões de euros).

Em termos de comissões, o banco que aceitasse conduzir a operação de transferência do dinheiro receberia 2,5% do montante global, isto é, US$ 1,25 bilhão (quase 1 bilhão de euros - o dobro do valor de mercado do Banif em bolsa, por exemplo).

Na página quatro do contrato lê-se que "as partes têm que seguir as coordenadas fornecidas pelas regras dos bancos sobre o Ato Anti-Terrorista e o Ato Patriótico I e II. O comprador [banco que aceita receber o dinheiro oriundo dos EUA] não será considerado responsável por nenhuma lavagem de dinheiro danosa".

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host