! Lusos esperam resolver dívida para buscar contrato com FAB - 19/05/2009 - Lusa - Economia
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19/05/2009 - 10h30

Lusos esperam resolver dívida para buscar contrato com FAB

Lisboa, 19 mai (Lusa) - A VEM está interessada em entrar em novos concursos públicos com vista à manutenção de todos os aparelhos Embraer da Força Aérea Brasileira, algo que neste momento está impedida por ter 140 milhões de euros em dívidas fiscais.

A VEM (atual TAP Manutenção e Engenharia Brasil) tem uma dívida fiscal de cerca de 145 milhões de euros (R$ 400 milhões) ao fisco brasileiro, que será reduzida e reestruturada com a aprovação legislativa no Senado brasileiro.

"[Para acederem a concursos públicos] as empresas no Brasil têm que ter uma Certidão Negativa de Débito de Tributos e Contribuições Federais (CND). Neste momento, por força dessa dívida, não podemos aceder aos concursos da Força Aérea Brasileira (FAB), que é um cliente importante", disse à Lusa Jorge Sobral, membro do Conselho de Administração da TAP para a Manutenção e Engenharia.

A Força Aérea Brasileira (FAB) já é um dos maiores clientes da VEM, mas os trabalhos de manutenção que a empresa faz para a FAB resultam de concursos antigos que tinha ganho antes das dívidas fiscais.

Com a aprovação pelo Senado da reestruturação, "a TAP ME tem em vista novos concursos da Força Aérea Brasileira", disse Jorge Sobral.

"Uma das capacidades da nossa fábrica é a certificação de trabalhos da Embraer, pelo que existe uma perspectiva de aumento de volume de negócios com esse cliente em particular", acrescentou.

"Em princípio [a manutenção] seria do total dos aparelhos da Embraer da FAB", explicou Jorge Sobral.

Em causa poderá estar a manutenção de dezenas de aparelhos de carga Bandeirantes e Xingu, o avião de passageiros Brasília, o caça de treino Super-Tucano e o turbojato de ataque ao solo Xavante.

No início do mês o administrador executivo da TAP, Fernando Pinto, tinha considerado este "reescalonamento da dívida" crucial para a sobrevivência da VEM.

Apesar de ter se recusado a dizer de quanto será a redução da dívida, Jorge Sobral especificou que se trata de um "valor substancial" em multas e juros.

O mesmo responsável admitiu mesmo à Lusa que a TAP ME Brasil pode chegar ao final do ano com as contas equilibradas.

"Poderá acontecer chegarmos ao break-even em 2009, mas está dependente de fatores exógenos - o reescalonamento da dívida fiscal - e outros próprios, como o volume de negócios", disse Jorge Sobral, acrescentando que a empresa acredita "poder vir a ter um volume de negócios substancialmente superior ao do ano passado".

"Não só superior como significativo, de alguma maneira", frisou.

Por outro lado, ressalvou o administrador, "não é tanto o volume de negócios, mas sim a margem dos negócios. É isso que também temos de procurar".

Quanto a valores previstos para estes negócios, Jorge Sobral diz que variam de ano para ano.

"Não lhe posso dar números, porque depende do work package para cada avião. Há anos com uma grande incidência - porque há vários aviões a precisar de inspeções significativas - e outros, no mesmo contrato, em que os valores podem ser muito inferiores. Depende do ciclo de manutenções em que os aviões se encontram", explicou.

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