! Integração em Macau é oportunidade para lusos, diz analista - 28/05/2009 - Lusa - Economia
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28/05/2009 - 11h48

Integração em Macau é oportunidade para lusos, diz analista

Lisboa, 28 mai (Lusa) - A integração de Macau na região do Delta do Rio das Pérolas está em aceleração e dá a Portugal "oportunidades de ouro" na área de cultura e negócios com a China continental, sobretudo por meio da comunidade macaense, defendeu o pesquisador Sonny Lo.

Lo, do departamento de ciência política da Universidade de Waterloo (Ontario, Canadá), foi um dos convidados do primeiro de dois dias do seminário internacional "Macau, Plataforma Comercial e Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa".

O pesquisador chamou a atenção para o Plano Geral da Comissão para a Reforma e Desenvolvimento do Delta do Rio das Pérolas: um mapa traçado em Pequim para a integração econômica, social e tecnológica de Macau e Hong Kong com os planos e visões de desenvolvimento da província de Guangdong e toda a região envolvente, com um olho também em Taiwan.

"O regresso de Macau à China e a sua rápida integração na província de Guangdong estão na realidade a criar oportunidades de ouro para Portugal expandir os seus interesses culturais, econômicos e educacionais na China continental", afirmou.

Segundo ele, os governos de Macau, Guangdong e Pequim estão hoje "determinados em acelerar" a integração.

"No meio da inevitável integração econômica, social e política entre Macau, Hong Kong e Taiwan, por um lado, e a China por outro lado, é imperativo que Portugal aprofunde as suas interações acadêmicas com a Grande Guangdong e utilize plenamente o papel único dos macaenses e dos portugueses na história e desenvolvimento cultural de Macau e da região do Delta do Rio das Pérolas", disse.

Ligação

Em primeiro lugar, defendeu, a comunidade de Macau pode servir de "ponte" entre os dois países, mas também como "ativo cultural especial português".

Contudo, também as universidades portuguesas, considerou, "devem desenvolver centros de pesquisa em Guangdong, Macau e Delta do Rio das Pérolas ao mais alto nível", para facilitar o intercâmbio com a China continental a longo prazo, incluindo nos seus esforços de cooperação nas áreas da "cultura, história e língua", ainda pouco disseminadas naquela região.

Lo lembrou também que está em curso a transferência da Universidade de Macau para a Ilha da Montanha (Hengqin), parte da qual passará a ser administrada pela Região Administrativa Especial (RAE), numa reconfiguração "simbólica" do processo de integração.

A conferência contou ainda com a presença de Ming Chan, da Universidade de Stanford, que abordou a década passada desde a "grande despedida" portuguesa e as transformações trazidas pela soberania chinesa.

Para Chan, o crescimento econômico foi alcançado, assim como a redução do desemprego e aumento da segurança, mas aumentou também a desigualdade de renda, tal como a inflação, a par de uma expansão urbana desenfreada e mesmo de casos de corrupção como o de Ao Man-lung, ex-secretário das obras públicas e transportes do Governo da RAEM.

Apesar de tudo, disse Chan, os portugueses deixaram Macau "em boas mãos" e com perspectivas positivas para as próximas décadas, como demonstra a atribuição pela Unesco, em 2006, da classificação de Patrimônio da Humanidade ao centro da ex-colônia portuguesa.

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