! Quase certa, contração do PIB angolano seria transitória - 07/06/2009 - Lusa - Economia
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07/06/2009 - 10h57

Quase certa, contração do PIB angolano seria transitória

Lisboa, 7 jun (Lusa) - A crise internacional vai sentir-se em Angola, país que "não vai manter-se imune" à contração entre 3% a 10% do PIB em 2009, dependendo, em grande parte, pelo comportamento do preço do petróleo nos mercados internacionais, afirmaram especialistas contatados pela Agência Lusa.

"Angola não vai ficar imune à crise mundial de acordo com os indicadores de que agora dispomos, daí que apontemos para uma previsão de contração do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem dos 3% para 2009", afirmou o vice-presidente do Banco BIC Portugal, Mira Amaral.

Os preços do petróleo evoluíram em alta na última semana para os US$ 67, depois de terem batido no mínimo de US$ 40 nos primeiros meses do ano e do máximo histórico de US$ 140 de meados de julho de 2008.

No entanto, "esta evolução de subida pode não ser suficiente, porque a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) manteve recentemente a sua produção global, o que levou Angola - que se tornou membro da organização -, a prosseguir com uma produção 1,55 milhões de barris por dia", disse à Lusa um analista que pediu para não ser citado.

Angola, antes de entrar para a OPEP, produzia 1,9 milhões de barris diários. Já a economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, disse também à agência Lusa que Angola deverá registrar uma contração do PIB entre 3% e 7,2% em 2009, mas que, perante as projeções do preço do óleo, que poderá atingir os US$ 100 por barril, passará a crescer na casa dos 9% a 10% já em 2010.

O país atingiu taxas de crescimento da riqueza produzida na ordem dos 24% em 2007 e dos 15% em 2008, pelo que no próximo ano se assistirá a uma desaceleração, mas mesmo assim, apresentando "um crescimento muito elevado", sobretudo compensado pelo setor não petrolífero que poderá crescer em torno dos 12%.

Os especialistas contatados pela Lusa defenderam que o crescimento do setor não petrolífero de Angola "vai manter-se muito dinâmico" nos próximos anos: "A economia tem de se industrializar e isso passa pelo setor não petrolífero e há fundos para que isso se concretize", frisou Mira Amaral.

De momento, assiste-se a um aperto monetário, mas o quadro macroeconômico do país "é estável" e o governo angolano adotou limites à execução orçamental das despesas correntes e de investimento com base para o preço do petróleo de US$ 35 o barril, em vez dos US$ 55 por barril inscritos no Orçamento do Estado (OE) para 2009.

Analisando os valores de receitas petrolíferas inscritas no OE angolano e tomando em consideração os níveis de produção de 1,7 milhões de barris por dia e um preço médio de US$ 42,7 o barril por dia, a quebra das receitas petrolíferas será de US$ 13 bilhões.

Já o responsável da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep) em Angola, António Fontoura, disse à Lusa que, no caso dos investidores portugueses, não vê alarmes por causa de "problemas no PIB", embora considere que "ninguém com toda a certeza" pode dizer que haverá uma forte contração, pois isso depende da evolução do preço do barril do petróleo.

Nos três primeiros meses deste ano, as exportações portuguesas para Angola cresceram 25%.

Segundo dados da Agência Nacional de Investimento Privado de Angola (ANIP), os portugueses investiram US$ 235 milhões em 2007 e apresentaram 247 projetos.

"Um ano depois, viram aprovados 237 projetos, num investimento de US$ 615 milhões", o que denota uma "clara aposta a prazo" na nova potência regional emergente da África Austral, salientou.

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