! Regulação vai acabar com bancos 'sombra', diz BC luso - 17/06/2009 - Lusa - Economia
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17/06/2009 - 08h58

Regulação vai acabar com bancos 'sombra', diz BC luso

Lisboa, 17 jun (Lusa) - O sistema bancário "sombra" vai desaparecer com o reforço da regulação que resultará desta crise, afirmou nesta quarta-feira o presidente do Banco de Portugal (BC luso), explicando que deixará de haver produtos sem qualquer tipo de regulação.

"Mesmo os hedge funds vão ter algum tipo de regulação", afirmou Constâncio, referindo-se a um dos tipos de produtos financeiros complexos para destacar que haverá uma "redefinição do perímetro regulado das instituições financeiras".

"O sistema bancário sombra vai desaparecer" com as medidas que estão sendo estudadas mundialmente, acredita o presidente do BC luso.

As agências de notação financeira e os auditores "são um problema" porque não há nenhuma entidade de supervisão que faça a certificação de contas e confia, portanto, no trabalhos destas instituições, sustentou ainda Constâncio.

"Os auditores têm falhado, e muito, ultimamente e também em Portugal", um tema que Constâncio considera que "não se tem falado muito", defendendo que deverá haver uma "melhor monitorização" do trabalho destas entidades.

A regulação, disse, não pode permitir que se assista de novo a "esta expansão desenfreada" do sistema financeiro, "não tem que ser intrusiva, mas tem de pôr limites".

Segundo ele, haverá menos alavancagem, porém a titularização deverá voltar, mas com produtos mais simples e "menos inovação financeira".

Além disso, deverá ocorrer também regulação da gestão de liquidez, um assunto que em Portugal já tinha alguma regulação, que foi revista, como lembrou Constâncio, ressaltando que haviam países sem qualquer tipo de regulação para o setor.

Ele afirma que "a supervisão não falhou, o que falhou, a nível global, foi a desregulação" que existiu nos últimos anos.

Alvaro Dâmaso, ex-presidente da CMVM, distinguiu o sistema bancário sombra e o sistema financeiro e bancário tradicional, para depois afirmar que os responsáveis por estas crise foram o sistema financeiro, os Estados e os particulares, além de outros agentes.

Foram eles, disse, com o "deslumbramento pela abundância e o querer crescer sempre mais", além do "excesso de criatividade" e não a supervisão ou a regulamentação, os verdadeiros responsáveis pela crise.

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