! Comércio motiva Itália a convidar Angola para cúpula do G8 - 07/07/2009 - Lusa - Economia
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07/07/2009 - 10h06

Comércio motiva Itália a convidar Angola para cúpula do G8

Lisboa, 7 jul (Lusa) - O convite feito pela Itália ao presidente angolano para participar na cúpula do G8 (grupo que reúne os oito países mais industrializados do mundo) é fruto de uma intensa aproximação comercial italiana junto ao país africano.

O convite do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, que ocupa a presidência do G8, foi oficialmente entregue ao chefe de Estado angolano no início de junho pelo representante especial governamental para a África, Luccas Ruardi.

"É um convite especial, (...) dado que os problemas de África estarão, igualmente no centro das discussões desta cúpula do G8", afirmou o representante de Berlusconi.

Nos últimos quatro anos, o valor das trocas comerciais entre os dois países tem crescido continuamente, tendo atingido os US$ 380 milhões em 2008, mais 45% do que no ano anterior.

O objetivo das autoridades italianas é atingir, até 2010, a cifra de US$ 1 bilhão por ano.

Mudança

Após audiência recente com o presidente angolano, o embaixador italiano em Angola, Torquato Cardilli, destacou a intenção de Roma de passar a ter em Angola um parceiro, em vez de um mero beneficiário de ajuda.

"Até aqui, praticávamos com Angola uma política de doação, pelo fato deste país ter saído de uma longa guerra e, consequentemente, necessitar de reconstrução, por isso estivemos sempre com Angola. Agora é uma potência econômica na África, por isso vamos desenvolver relações econômicas diretas", disse Cardilli.

"Angola agora tem que ter as suas próprias indústrias, não comprar produtos no exterior, mas produzir a partir do seu território para criar mão-de-obra e acabar com o desemprego", afirmou o diplomata, acrescentando que a Itália apoia iniciativas neste sentido.

Para setembro está prevista a ida a Angola de uma delegação com cerca de 80 empresários italianos ligados a indústria para contatos e exploração do mercado angolano.

O ministro angolano da Indústria, Joaquim David, esteve recentemente em Roma na "Semana de Angola", evento promovido pelo ministério italiano das Relações Exteriores e a Embaixada angolana, que incluiu uma conferência sobre "As Oportunidades de Investimento e Negócios em Angola".

O evento foi aberto pelo próprio chanceler italiano, Franco Fratini, e encerrado pelo sub-secretário do Desenvolvimento Económico, Adolfo Urso, segundo informação divulgada pela chancelaria angolana.

Entre os cerca de 100 empresários e gestores participantes foram apresentados dois que operam no mercado angolano há mais de 20 anos - Grupo Inalca e Intertransport Centre.

Petróleo

A presença empresarial italiana é mais visível no setor petrolífero, sobretudo por meio da Eni, que opera algumas das principais concessões no mercado de extração terrestre angolano.

Em 2006, a petrolífera italiana fez história ao oferecer um bônus de assinatura de US$ 902 milhões pelas áreas remanescentes do bloco 15.

Além disso, Frattini esteve em Angola em fevereiro, tendo sido recebido pelo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e pelo primeiro-ministro, Paulo Kassoma.

"Desejamos promover visitas de empresas italianas a Angola para avaliar a participação em setores-chaves da economia angolana, em particular nas infra-estruturas, construção de moradias sociais e no setor agrícola, onde a Itália está disponível para financiar projetos que serão decididos em conjunto", afirmou Frattini naquela ocasião, citado pela agência oficial angolana de notícias, Angop.

"Queremos utilizar a presidência do G-8 para enfrentar o tema do desenvolvimento da África, da luta contra a pobreza, alimentação e agricultura, energia e infra-estruturas", adiantou o chefe da diplomacia italiana.

Ele também destacou a importância angolana na Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), a que atualmente ocupa a presidência do grupo, e também na União Africana.

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