! Crise expõe pontos vulneráveis de Portugal, diz consultoria - 08/07/2009 - Lusa - Economia
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08/07/2009 - 15h14

Crise expõe pontos vulneráveis de Portugal, diz consultoria

Lisboa, 8 jul (Lusa) - A crise mundial é "cruel" para Portugal pois incide sobre os seus "pontos de vulnerabilidade - competitividade, emprego e endividamento -", agravando-os "além de qualquer expectativa razoável de resolução", indica um relatório da consultoria econômica Saer.

No Relatório sobre a Situação Econômica e dos Negócios, a Saer destaca que "as circunstâncias que estabeleceram a configuração da economia portuguesa não favoreceram a formação de estruturas empresariais capitalizadas".

Aliás, os consultores da empresa especificam que o financiamento das políticas públicas, principalmente das políticas sociais, "constitui uma pressão crescente de endividamento público".

Por outro lado, "a fraca competitividade reflete-se na acumulação de déficits comerciais".

Esta "é, portanto, a configuração econômica mais vulnerável ao tipo de crise que está em evolução na escala mundial, onde as variáveis críticas também são a produtividade, o emprego e o endividamento", aponta o estudo.

O documento indica que "estes traços do campo real em que opera a economia portuguesa não são, porém, reconhecidos nos debates políticos" e, pelo contrário, "os objetivos anunciados são de continuidade e de reprodução do que existe".

"Tanto na escala mundial como na escala europeia ou na nacional, não há agendas políticas a comandar os fatos, são os fatos que estão a desenhar o mapa da possibilidade, aquele que é o espaço da decisão econômica e do poder político", afirma a Saer.

Como o grau de modernização e os indicadores de competitividade em Portugal "são inferiores aos que se encontram nas outras regiões europeias, a perda de sentido de orientação e a entrada em fases de crescimento econômico negativo pioraram todos os problemas estruturais e sublinham as vulnerabilidades que se acumularam no passado sem correção adequada quando ainda havia meios para financiar esses programas de reformas", acrescenta o relatório.

Em termos gerais, a Saer aponta que as medidas adotadas até agora para enfrentar a crise não geraram efeitos de correção satisfatórios, "podendo mesmo estar a ter o efeito perverso de acelerar o processo crítico em lugar de o controlar".

A Saer conclui que "só poderá haver recuperação dos indicadores econômicos num novo padrão de relações que não reproduza as condições e as interações de fatores que geraram os desequilíbrios".

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