! Déficit público português é insustentável, diz consultoria - 08/07/2009 - Lusa - Economia
UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

08/07/2009 - 09h09

Déficit público português é insustentável, diz consultoria

Lisboa, 8 jul (Lusa) - A derrapagem das contas públicas portuguesas "é insustentável numa ótica de médio prazo" e se deve retomar um processo de consolidação orçamental semelhante ao do período pré-crise, defende a consultoria econômica Saer, num relatório divulgado nesta quarta-feira.

No Relatório sobre a Situação Econômica e dos Negócios, a Sociedade de Avaliação Estratégica de Risco (Saer) aponta que "os déficits e os níveis de dívida pública deterioraram-se substancialmente. Ultrapassaram os limiares do Pacto de Estabilização e Crescimento".

"A derrapagem das contas públicas é insustentável numa óptica de médio prazo. A inflexão na evolução econômica que aparenta despontar deverá contribuir, por si só, para estabilizar essa deterioração", aponta o documento.

No entanto, a Saer alerta para a necessidade de " corrigir essa deterioração e/ou retomar um processo de consolidação das contas públicas similar ao que decorria no período pré-crise".

A forma como isso vai acontecer dependerá "muito do que a própria zona do euro vier a adotar no mesmo sentido, dado que a generalidade dos Estados-membros entraram também num processo de deterioração das contas públicas como resultado da rapidez e da intensidade da crise", indica o texto.

Para os consultores da empresa "interessará negociar e defender atitudes de bom senso que obstem a que o processo de correção não engendre, por si mesmo, uma evolução tipo anemia para a zona do euro - ou inclusive, obste a uma retoma - e, por reflexo, para a economia portuguesa".

Desestabilização do euro

O documento defende que os sinais positivos aparecidos desde a publicação do último relatório e a prática do Banco Central Europeu (BCE) "apontam para um dissipar das preocupações", num momento que já se fala do risco da União Europeia (UE) entrar num processo de "desconstrução" do euro e o sistema financeiro internacional entrarem em colapso.

"Nesta hipótese, a economia e a sociedade portuguesas deverão entrar num processo de estabilização e, mais tarde ou mais cedo, de retoma", mas "haverá, porventura, que refletir mais, muito mais, seriamente do que tem sido feito até agora", acrescenta a consultoria.

Além disso, a Saer destaca que é necessário "bom senso" no Fisco e Segurança Social "para não atuarem em termos formais de invocação direta de ortodoxia, inviabilizando empresas e criando mais desemprego. Exigir uma recuperação demasiado rápida aos doentes poderá condená-los a uma recaída, para alguns, fatal".

Em relação ao desemprego, o estudo prevê a possibilidade de piora "nos próximos meses, elevando o respectivo nível para patamares ainda mais preocupantes". Muito deste desemprego "será estrutural", acrescenta.

"Os tempos de pós-crise não serão isentos de novas crises", adianta o relatório.
"Importará, porventura, redirecionar apoios de toda a ordem para que novas atividades/empregos se vocacionem para produtos/serviços transacionáveis e que estes consigam limitar perdas quando em situações de crise internacional", conclui.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host