! Economista questiona reservas internacionais angolanas - 08/07/2009 - Lusa - Economia
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08/07/2009 - 14h38

Economista questiona reservas internacionais angolanas

Luanda, 8 jul (Lusa) - O economista e diretor do Centro de Estudos e Investigação (CEI) da Universidade Católica de Luanda, Alves da Rocha, pediu publicamente ao Governo que esclareça o destino dado a cerca de US$ 9 bilhões das reservas internacionais do Estado.

Em entrevista à Rádio Nacional de Angola (RNA), e depois reafirmando à Agência Lusa, o também consultor do Ministério do Planejamento defende que deve haver "explicações mais claras, mais contundentes" sobre a queda nas reservas, que baixaram "de quase US$ 20 bilhões em novembro de 2008 para os níveis atuais, por volta de US$ 11,8 bilhões".

Alves da Rocha confirmou também à Lusa a ideia de que prevalece "um ambiente de dificuldades, de retração do crédito, de inviabilidade de compra de divisas" e entende que a atual situação é "paradoxal" na medida em que o barril do petróleo estabilizou em torno dos US$ 70, diante dos cerca de US$ 35 no início do ano, sem que isso se reflita, "por enquanto, no estoque das reservas internacionais líquidas".

"Por onde é que são canalizadas estas divisas, estas reservas internacionais? Porque a procura das divisas não está a ser satisfeita, pelo contrário, está muito aquém" da procura no mercado, afirmou.

Situação preocupante

O diretor do CEI declarou não entender também o motivo da recusa da desvalorização da moeda nacional, o kwanza, atualmente com uma taxa de câmbio na ordem dos 77 kwanzas por dólar, perante a presente queda das reservas líquidas internacionais, face ao período em que estavam em alta.

Alves da Rocha admitiu dificuldades para o país em sair desta situação. "Realmente não sei como é que nós vamos sair desta situação. O que sei é que isto vai ter implicações sobre o crescimento econômico deste ano, está a ter implicação ao nível do clima dos negócios e ao nível da confiança que os agentes econômicos têm na política econômica do Governo, coisa que realmente é muito preocupante".

O economista, um dos mais respeitados em Angola, criticou ainda a impossibilidade de o país aumentar a produção petrolífera, atualmente em torno de 1,65 milhão de barris por dia perante um potencial de dois milhões, devido à integração na Opep em 2007 e às cotas aplicadas pela organização para estabilizar os preços.

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