! Brasil prevê financiar grandes obras em Moçambique - 18/07/2009 - Lusa - Economia
UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

18/07/2009 - 17h34

Brasil prevê financiar grandes obras em Moçambique

Maputo, 18 jul (Lusa) - O Brasil quer financiar a construção de grandes infra-estruturas em Moçambique, mas exige em contrapartida que as mesmas sejam construídas por empresas brasileiras, embora seja ainda pouco expressiva a presença do país.

Enquanto que em Angola trabalham atualmente cerca de 30 mil brasileiros, em Moçambique são apenas cerca de 3.500, entre três grandes empresas, profissionais liberais, médicos, publicitários, universitários e cerca de mil missionários (por exemplo da Igreja Universal do Reino de Deus).

O Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, faz de domingo a quinta-feira uma visita ao Brasil, na qual se inclui uma ida ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, criado pelo Governo para servir como principal instrumento de financiamento das exportações do país.

Em Moçambique, a face mais visível do investimento de empresas brasileiras está na província de Tete, onde opera a Vale do Rio Doce, uma das maiores empresas do mundo de mineração, que emprega mais de 100 mil pessoas.

Na província de Tete, em Moatize, a Vale está explorando uma das maiores reservas de carvão de Moçambique, estimadas em 10 milhões de toneladas, um investimento de cerca de 700 milhões de euros.

A mesma empresa vai construir uma central termoelétrica em Moatize, enquanto outra das grandes empresas do Brasil, a construtora Camargo Corrêa, ganhou o concurso para fazer a barragem de Mphanda Nkuma, 60 quilômetros a jusante de Cahora Bassa, um investimento de 3,2 milhões de dólares (1.500 MW de energia quando concluída).

Fonte contatada pela Agência Lusa explicou que o início das obras da barragem está dependente da construção de uma rede de transmissão de Tete a Maputo, "já que a atual linha de alta tensão não está em condições de transportar essa energia".

"A Eletricidade de Moçambique, EDM, vai construir essa espinha dorsal", explicou a fonte, acrescentando que essa energia se destina principalmente à África do Sul e que é um projeto para "quatro a cinco anos".

Além da Vale e da Camargo Corrêa, também as construtoras Odebrecht, a maior empresa de engenharia e construção da América Latina, e a Fidens (também construção) estão já presentes em Moçambique.

"Cada vez mais Moçambique oferece condições para o investimento. Tem estabilidade política, é um grande exemplo de reconciliação nacional e oferece as facilidades da língua. A localização geográfica é importante também, porque permite o avanço brasileiro para países vizinhos", disse à Agência Lusa o embaixador do Brasil em Maputo, António Souza e Silva.

Na semana passada, numa visita a Maputo, o vice-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil já tinha dito que o Governo está disposto a negociar empréstimos a Moçambique para grandes obras, desde que as mesmas sejam construídas por empresas brasileiras.

Ivan Ramalho salientou à Lusa que a visita de Armando Guebuza pode ser um importante incentivo para o desenvolvimento das relações econômicas entre os dois países, com um maior volume de trocas comerciais, até agora pouco significativo.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host