! Déficit luso não ameaça zona do euro, diz Cavaco Silva - 24/07/2009 - Lusa - Economia
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24/07/2009 - 08h06

Déficit luso não ameaça zona do euro, diz Cavaco Silva

Por Inês Escobar de Lima, da Agência Lusa

Viena, Áustria, 24 jul (Lusa) ? O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, afirmou, em entrevista ao jornal austríaco Kurier, que o déficit português é semelhante ao de "todos os outros países da União Europeia" e não compromete a zona do euro.

Cavaco Silva encontra-se desde quinta-feira na Áustria, numa visita oficial que termina no domingo.

Na entrevista, ele sustentou que "os mais pequenos e os médios" países da União Europeia, como Portugal e a Áustria, "são os que constituem o cimento da Europa".

"Temos de aprender a falar a uma só voz", defendeu.

Sobre os déficits orçamentais, Cavaco Silva disse: "Portugal encontra-se numa situação semelhante à de todos os outros países da UE, mas de certeza que não comprometemos a zona do euro".

"Após esta crise, os défices têm de ser novamente reduzidos", acrescentou.

O presidente luso respondia a uma questão sobre os critérios de Maastricht em relação aos limites máximos de déficit e de endividamento público.

Questionado se entende que aqueles limites devem ser revistos, Cavaco Silva afirmou que "o Euro é uma bênção para a Europa" e, em conjunto com o Banco Central Europeu (BCE), "um enorme êxito".

"Com as moedas nacionais, na Europa teria havido uma concorrência agressiva entre os diferentes países e a crise ter-se-ia acentuado. O BCE disponibiliza a liquidez necessária para os bancos centrais. Estas foram as respostas adequadas à crise. Estar na zona do euro é muito melhor do que estar fora dela", completou.

Depois, sobre os défitis orçamentais, afirmou: "Criticam-se países como a Grécia, e também Portugal, que afetariam a estabilidade do euro com os seus elevados déficits orçamentais. Contudo, outros países, como a Espanha, a Alemanha ou a Irlanda também têm elevados déficits orçamentais".

"Atualmente, o nosso governo prevê para o presente ano um déficit da ordem de 6% e, segundo consta, a Áustria conta com um déficit de aproximadamente 5%", referiu.

Mecanismos

Além disso, o chefe de Estado luso declarou que "na presente crise em que vivemos, os estabilizadores automáticos têm de funcionar e, por conseguinte, aumentam as despesas" e, "por outro lado, verifica-se um decréscimo das receitas fiscais em situações de maior desemprego e as empresas registam menores lucros".

Na mesma entrevista, o presidente português defendeu a necessidade "de um sistema de supervisão coordenado a nível mundial" e quanto à economia global previu que "haverá um período mais longo de estagnação, mas que será menor antes do final de 2010".

Por outro lado, interrogado sobre "o que pode a Áustria aprender com um país com tão bom futebol como Portugal", Cavaco Silva observou: "Não podemos enviar o (Cristiano) Ronaldo para a Áustria, porque isso imporia ainda mais uma carga excessiva a todas as associações dos nossos países tomadas em conjunto".

"Portugal ainda não conseguiu qualificar-se para o campeonato mundial da África do Sul", lembrou, a esse propósito.

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