! Recuperação dos EUA poderá por fim à valorização do euro - 27/07/2009 - Lusa - Economia
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27/07/2009 - 12h08

Recuperação dos EUA poderá por fim à valorização do euro

Lisboa, 27 jul (Lusa) - A taxa de câmbio entre o euro e o dólar norte-americano tem registrado uma elevada volatilidade, com favorecimento para a moeda europeia. Contudo, a recuperação da economia dos EUA, que poderá acontecer já em 2010, deverá inverter a tendência, explicou à Agência Lusa o analista financeiro do banco BPI, Agostinho Alves.

A média das previsões de um ano sobre a taxa de câmbio euro-dolar feitas pelo BPI, mas também por JP Morgan, Goldman Sachs, Deutsch Bank, BNP aribas e Credit Suisse, apontam para uma taxa de US$ 1,39, em relação aos US$ 1,42 atuais.

Agostinho Alves explicou à Lusa que nas últimas semanas, "apesar da alta volatilidade do mercado, houve uma evolução de caráter mais lateral, confinada a um intervalo bastante largo de variação, mas que nos últimos dias essa lateralidade deu lugar a uma tendência de subida do euro-dolar".

"Neste momento, o euro está a aproximar-se de um valor de grande resistência - o de US$ 1,43 - que se for de novo testado e ultrapassado pode acentuar o movimento de alta que se desenhou nos últimos dias", afirmou.

A moeda europeia iniciou o ano valendo US$ 1,395, caindo posteriormente para o seu valor mais baixo em 4 de março, quando valia US$ 1,245.

Depois disso, o valor voltou a subir, atingindo um novo máximo em 3 de junho ao bater US$ 1,43.

Risco

A subida do euro é explicada neste momento pelo abandono do dólar por parte dos investidores como moeda de refúgio, já que os sinais econômicos mais positivos começam a gerar interesse por outros produtos e moedas com maior risco.

O fato de o dólar ter servido como moeda de refúgio durante os primeiros sinais da crise econômica e em plena turbulência financeira - apesar da crise ter tido origem nos Estados Unidos -, explica como o dólar foi beneficiado até fevereiro deste ano em comparação ao euro.

"Neste momento, a fuga do dólar reflete-se também numa valorização do euro", afirmou Agostinho Alves.

Além disso, o analista explicou que os indicadores econômicos estão gerando expectativas positivas tanto nos Estados Unidos como na zona do euro, o que anima as Bolsas. Paralelamente, os preços do petróleo e a relação euro-dólar acompanham esse movimento.

"Acho que, no curto prazo, esta vai ser ainda a tendência, mas se ultrapassar o valor de US$ 1,43 pode acentuar ainda mais esse movimento, poderá até chegar aos US$ 1,45", afirmou Alves.

Insustentável

Na opinião dele, a valorização do euro não deverá ser sustentável no longo prazo.

O diferencial das taxas de juro que existe entre os EUA e a Europa está beneficiando o euro. Porém, assim que os norte-americanos se recuperarem da recessão, deverá haver uma subida dos juros nos EUA que beneficiará o dólar, explicou.

"Com a subida das taxas de juro nos Estados Unidos assim que a economia começar a mostrar um forte crescimento em 2010, esse diferencial vai se esbater e possivelmente vai inverter-se a tendência", analisou.

Por outro lado, o analista afirma que um euro demasiado forte não interessa às economias europeias. Com isso, assim que a taxa de câmbio se aproximar dos US$ 1,50 vão começar a ser ouvidas críticas na região.

"Por causa das exportações e porque a Europa precisa de uma certa competitividade para a sua indústria", explicou.

"O principal motor da zona do euro, a Alemanha, está muito dependente das exportações e portanto é muito importante que o euro não se aprecie em demasiado", concluiu.

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