! Ponte acaba com transtornos na área mais rica de Moçambique - 31/07/2009 - Lusa - Economia
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31/07/2009 - 09h16

Ponte acaba com transtornos na área mais rica de Moçambique

Maputo, 31 jul (Lusa) - A ponte Armando Guebuza será uma das mais importantes vias terrestres do país, além de terminar com o "calvário" da travessia do rio Zambeze por meio de pequenas embarcações na região mais rica de Moçambique.

A travessia do Zambeze, um dos principais rios de África, possibilita o acesso entre as regiões de Caia, na província de Sofala, e Chimuara, na Zambézia, centro, que dá acesso por estrada até ao norte do país.

Atualmente, o tráfego rodoviário sobre o rio é feito através de barcas, cujos constantes acidentes tornam num pesadelo as ligações por estrada entre o norte e o sul de Moçambique. Com isso, os motoristas eram forçados a pernoitar numa das margens do rio.

A ponte terá 2.376 metros de comprimento (1.666 em terra e 710 sobre o leito do rio), 16 metros de largura e quatro pistas, mas com uma estrutura que prevê a sua duplicação.

Com a abertura da ponte Armando Guebuza, nome do presidente moçambicano, que inaugura a obra no sábado, conclui-se um dos mais emblemáticos projetos de construção civil desde a independência de Moçambique, em 1975. Além disso, a obra foi realizada por empreiteiras portuguesas: o consórcio Soares da Costa/Mota-Engil.

A execução da ponte retoma estudos feitos no período colonial por Edgar Cardoso, conhecido engenheiro de pontes português e cujas marcas são ainda visíveis nas margens do Zambeze.

As obras de construção da ponte do rio foram inicialmente canceladas, devido à guerra civil no país, que durou de 1976 a 1992.

Mau tempo

Orçada em 61,7 milhões de euros, a edificação da ponte conta com apoios da Suécia, Itália, Japão e da Comissão Europeia, tendo sofrido um aumento de cinco milhões de euros por causa dos danos sofridos durante as cheias recentes na região.

Durante a construção, que empregou diretamente 600 moçambicanos, o consórcio português enfrentou vários contratempos decorrentes do mau tempo.

Em três anos de obras, a ponte do rio Zambeze resistiu às instabilidades climáticas e até ao prazo, tendo o consórcio antecipado para maio a entrega da obra, um mês antes do previsto.

A inauguração no sábado da ponte do rio Zambeze pelo residente moçambicano, Armando Guebuza, é o fim do "calvário" da travessia do rio através de batelões, mas também o início de uma polêmica, já iniciada na própria Frelimo, partido no poder, dirigido pelo atual presidente.

O ex-deputado da Frelimo Amad Camal considera "falta de modéstia" a atribuição do nome presidente à ponte.

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