! Filmes dos EUA em Portugal podem gerar até R$ 5 bilhões - 02/08/2009 - Lusa - Economia
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02/08/2009 - 12h01

Filmes dos EUA em Portugal podem gerar até R$ 5 bilhões

Portimão, 2 ago (Lusa) - As 11 produções cinematográficas norte-americanas que o projeto Picture Portugal já garantiu devem gerar uma receita fiscal de 1,2 bilhão de euros (R$ 5,11 bilhões) e envolver mais de 1.000 postos de trabalho, estimam os promotores da iniciativa.

Em declarações à Agência Lusa, Artur Curado, produtor de cinema e um dos cinco consultores internacionais que acompanham o projeto Picture Portugal, disse que "estas produções envolvem mais de um milhar de postos de trabalho diretos na produção dos filmes".

"Este lote de produções, num cenário pessimista, tem um potencial de lucros de 300 milhões de euros e de 1,5 bilhão de euros de receitas", disse ainda, para evidenciar o peso do setor que a empresa municipal pretende atrair para Portimão (sul de Portugal).

Os estudos já realizados indicam que, no mesmo período, com uma produção máxima de 15 produções de média e grande dimensão em Portugal por ano, o Estado português obtenha receitas fiscais diretas de 1,2 bilhão de euros.

Impactos

Artur Curado afirmou não ter dúvidas de que, com estas produções e com o projeto que está sendo preparado, a indústria cinematográfica em Portugal vai entrar numa "revolução".

"Vai exigir o reajustamento de diversas empresas portuguesas de audiovisual, mas não tenho dúvidas de que, em cinco anos, vão instalar-se em Portimão entre 50 e 100 novas empresas para servir esta indústria", previu.

"Cada filme é uma empresa sediada em Portugal, que exporta e vende direitos desses filme e que, como tal, paga impostos em Portugal", acrescentou.

Os impactos da "revolução" no setor se estendem ainda ao mercado artístico, nomeadamente na formação de novos recursos, uma vez que "95% dos atores contratados para estes filmes serão portugueses".

Região

Nesta semana, o prefeito de Portimão, Manuel da Luz, anunciou que vai pedir ao Governo incentivos fiscais para "atrair indústrias de ponta, novas tecnologias, que consigam dinamizar o tecido econômico e tenham repercussão do ponto de vista econômico-financeiro".

"Gostaria de entregar ao ministro da Economia um dossiê que pedi à Algarve Film Comission para elaborar onde esta questão é retratada e será facultado ao Governo um conjunto de dados que tem a ver com a importância e o impacto deste tipo de iniciativas, a que lhe falta a questão financeira em termos fiscais", defendeu.

Manuel da Luz ressaltou que estes projetos representam a criação de emprego "e emprego não sazonal, não ligado à atividade turística direta, e isso merece ser sublinhado".

Fora do setor, é a hotelaria quem mais terá que se adaptar à particularidade deste segmento no Algarve.

O presidente da Portimão Turis, Luís Carito, disse à Agência Lusa que as equipes de produção norte-americanas "são muito exigentes e gostam de hotéis de cinco estrelas de topo, o que faz falta no Algarve".

Enquanto não se materializam as diversas intenções de construção de novas unidades, são os atuais que tentam adaptar-se.

No recém-reconstruído Hotel da Rocha, por exemplo, "tem sido um desafio receber personalidades como Anthony Waye, produtor da saga 007", admitiu à Lusa o presidente do RR Grupo, Fernando Rocha.

"É bom que tenhamos pessoas com esta exigência, obriga-nos a ser melhores, a nivelar o serviço para um tipo de clientes de topo", disse.

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