! De férias em Portugal, emigrantes criticam preços altos - 16/08/2009 - Lusa - Economia
UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

16/08/2009 - 11h16

De férias em Portugal, emigrantes criticam preços altos

Vilar Formoso, Guarda, 16 ago (Lusa) - Portugueses que trabalham fora do país e passam as férias em terras lusas dizem temer os preços altos e tentam gastar o menos possível, num país onde se vive pior do que naqueles onde escolheram para morar e que teve a situação piorada ainda mais pela crise.

O fim de semana que marca a entrada da segunda quinzena de agosto marca saídas e chegadas em Vilar Formoso (na fronteira com a Espanha), porta de entrada num país que recebe, nesta época do ano, milhares de emigrantes, que enchem os tanques do carro no último posto de combustível espanhol e param no primeiro café em Portugal.

Jorge e Cristina Serra, mais a pequena Matilde, vivem nos arredores de Paris, onde todos nasceram, e se preparam para visitar os dois lados da família, na Figueira da Foz e em Pinhel.

"Vamos tentar gastar menos e, desta vez. Não vamos para o Algarve para podemos jantar mais vezes fora", diz Jorge Serra, consciente "dos altos preços dos combustíveis e dos baixos salários em Portugal".

"A classe média e a baixa também está sofrendo na França", afirma Jorge Serra, que é funcionário de uma empresa de telecomunicações móveis. A mulher trabalha numa pequena empresa de software.

O casal não pensa em trocar a França por Portugal, porque lá há melhores condições de vida e um sistema nacional de saúde mais eficiente.

Retorno a Portugal

Já de férias em Portugal, Abel Silva, 54 anos, que há 19 trocou uma pequena aldeia da freguesia de São Mamede (centro de Portugal) pelo Canadá, sente que "tudo melhorou um pouco" em Portugal, mas "continua a ganhar-se mal".

"Ganha-se pouco e as coisas estão caras", constata, acrescentando que "todas as pessoas se queixam", uma situação que atribui à crise. Abel Silva adianta que, embora "as pessoas tentem poupar alguma coisa", a crise é um bloqueio

Quanto a um hipotético retorno ao país de origem, o emigrante responde: "Com a minha idade não é fácil arranjar emprego". Por isso, adia para uma idade mais próxima da aposentadoria a possibilidade de refazer a vida em Portugal.

Quem acredita num regresso mais cedo é Noémia Reis, 57 anos, que mora na França. Natural de Aljustrel, Fátima, ela trabalha como empregada de limpeza e completa agora 35 anos na França, onde estão os seus três filhos e os três netos. Mesmo assim, afirma que não será a crise que vai impedi-la de voltar.

"Em Portugal, sinto-me mais alegre. Lá é casa-trabalho-trabalho-casa", diz Noémia Reis, que vê Portugal um país "mais avançado", mas muito caro e com um serviço de saúde que gostaria que fosse igual ao da França.

"O meu filho diz que aqui os iogurtes são mais caros", revela, acrescentando não ter dúvidas de que "em Portugal quem tem dinheiro vive bem". O problema é que "a maior parte das pessoas não tem dinheiro".

Crise

Em Teixoso, na Covilhã, Maria José Fernandes, 61 anos, está de volta a casa, embora ainda continue a visitar, "mês sim, mês não" os arredores de Paris, onde trabalhou mais de 30 anos como babá.

"Também lá há muita crise, com muito desemprego. Mas acho que a atitude dos franceses e sobretudo dos emigrantes portugueses na França é muito diferente", descreve.

"Aqui as pessoas ficam muitas vezes à espera das ajudas, como o seguro desemprego. Lá é diferente: quando alguém está no desemprego, luta logo por alguma coisa", afirma, confessando ainda "estranheza" por ver pessoas "com tão pouco a comprar tanta coisa".

"Depois vem-se a saber que estão endividadas. Na França também não é assim", conta. "Às vezes é preciso sofrer, sobretudo nesta altura de crise, mas há muita gente que não quer sofrer".

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host