! Marcopolo prioriza fechamento de unidade lusa, diz sindicato - 25/08/2009 - Lusa - Economia
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25/08/2009 - 17h05

Marcopolo prioriza fechamento de unidade lusa, diz sindicato

Coimbra, 25 ago (Lusa) - O Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (SINDEL) português afirmou nesta terça-feira que a administração da Marcopolo não quer vender a unidade de produção de carrocerias de ônibus de Coimbra, mas sim desmantelé-la e, eventualmente, levar equipamentos para a Turquia.

Juvenal Sousa, vice secretário-geral do sindicato, adiantou à Agência Lusa que foi essa a convicção com que ficou após a reunião com a administração na segunda-feira, e depois de rejeitada a proposta de um investidor belga, interessado em comprar a unidade de Coimbra.

"Os motivos invocados para o fechamento não seriam razões financeiras nem econômicas, mas sim razões de mercado, não havendo intenção ou projeto de transmitir o estabelecimento para outras entidades", afirmou hoje a organização sindical em comunicado.

Segundo Juvenal Sousa, o investidor belga, até agora o maior cliente da Marcopolo-Coimbra, esteve em negociações para a sua compra até 30 de Julho último, comprometendo-se a assegurar o posto de trabalho a 130 dos cerca de 180 operários, e comprometendo-se a integrar gradualmente a maioria dos restantes.

"Não percebemos o que está por detrás", declarou o sindicalista à Lusa, acrescentando que o investidor belga ofereceu 1,5 milhão de euros pelos equipamentos, e assumia as dívidas da empresa, no montante de três milhões de euros.

Para Juvenal Sousa, esta solução poderia tratar-se de uma solução aceitável tendo em conta que o fechamento da empresa implicará um montante de indenizações aos trabalhadores, que poderá ultrapassar os três milhões de euros.

Para procurar alternativas, o SINDEL e a União dos Sindicatos de Coimbra (USC) tem reunido com o Governador Civil de Coimbra, e Juvenal Sousa adiantou que na próxima sexta-feira o representante do governo terá uma reunião com um membro da administração.

No entanto, adiantou Juvenal Sousa, a intenção do Governador Civil é a de tentar reatar a negociação para a venda, "sentando à mesma mesa" a administração e o investidor belga, que estará associado a um empresário português com um interesse em cerca de 10% do negócio.

Na quarta-feira, pelas 10 horas, nas instalações da empresa, as duas organizações sindicais promovem um plenário de trabalhadores para que "sejam encontradas medidas que impeçam o despedimento dos cerca de 180 trabalhadores, na sua maioria com mais de 50 anos de idade".

A Marcopolo-Coimbra é a filial da empresa com sede no Brasil, dedicada à montagem de carrocerias de ônibus.

Com o fechamento desta unidade, a Marcopolo vê fechar-se o mercado da União Europeia, pois é a única fábrica que a empresa tem instalada no espaço comunitário, fato que surpreende os dois sindicatos.

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