! Sindicatos lusos lutam para manter empregos na Marcopolo - 26/08/2009 - Lusa - Economia
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26/08/2009 - 12h47

Sindicatos lusos lutam para manter empregos na Marcopolo

Coimbra, 26 ago (Lusa) - Um dirigente do Sindicato Nacional da Indústria e Energia (SINDEL) português defendeu nesta quarta-feira a necessidade de manter os postos de trabalho na fábrica da Marcopolo em Coimbra, garantindo a continuidade da laboração através da venda da unidade.

"O mais importante é manter os postos de trabalho. O que os sindicatos vão fazer é tentar convencer a Marcopolo a vender o estabelecimento e os ativos a um investidor", afirmou Juvenal Sousa, vice secretário-geral do SINDEL, no final de um plenário de trabalhadores.

A administração da brasileira Marcopolo anunciou esta semana que vai fechar a unidade de carrocerias de ônibus e avançar com a caducidade dos contratos de trabalho a partir de 15 de setembro.

"Vai abrir uma fábrica na Turquia e outra no Egito. Sempre foi importante para a Marcopolo ter uma fábrica no espaço europeu. Como a Turquia vai entrar na União Europeia proximamente, deixa de ter interesse em estar cá, vai para um país onde tem mão-de-obra mais barata", salientou Juvenal Sousa em declarações à Agência Lusa.

Reportando-se à suposta relutância da administração em vender a fábrica de Coimbra, negócio em que existe pelo menos um investidor interessado conhecido, o sindicalista disse que não foram divulgadas as razões mas que, "provavelmente, não querem vender a patente".

De acordo com Juvenal Sousa, o processo de cessação dos contratos desencadeado pela administração "está feito dentro da legalidade", mas o principal objetivo dos sindicatos é evitar "o encerramento total e definitivo da fábrica" e viabilizar a sua venda.

"Que olhem para o problema social que vão criar em Coimbra com a deslocalização e que reconsiderem e chamem investidores que estejam interessados, como o belga. Vão criar muita miséria aqui", realçou um dos cerca de 180 trabalhadores da unidade, Paulo Forte.

Na sua perspectiva, "apesar da crise econômica, a empresa é viável" e a administração "tem todas as condições para fazer um bom negócio [com a venda], mas não está minimamente interessada".

No plenário de hoje, em que participou também o coordenador da União de Sindicatos de Coimbra (USC/CGTP-IN), António Moreira, foi nomeada uma comissão para negociar as indenizações aos trabalhadores.

De acordo com Juvenal Sousa, a situação da fábrica deverá ser abordada pelo governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes, durante uma deslocação do Secretário de Estado da Indústria, prevista para sexta-feira.

Está agendada também uma reunião entre Henrique Fernandes e os representantes da administração e do investidor belga interessado na aquisição da fábrica de Coimbra, adiantou o dirigente sindical.

"O governador civil comprometeu-se a tentar sensibilizar as partes para encontrar soluções. O grande objetivo é encontrarmos uma união entre as partes de forma a que os trabalhadores, no dia 15, não percam o seu emprego", frisou.

Um novo plenário ficou marcado para dia 4 de setembro.

"Nota-se uma certa revolta entre os trabalhadores, porque um emprego não espreita no supermercado ao lado", afirmou Juvenal Sousa ao descrever o ambiente do plenário que decorreu hoje nas instalações da empresa, em Eiras.

Segundo um segurança da unidade, a administração não estava disponível para prestar declarações à imprensa.

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