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14/09/2009 - 16h32

Para economistas, gigantes da UE puxarão economia lusa

Lisboa, 14 set (Lusa) - Portugal se beneficiará da melhoria das perspectivas de crescimento em 2009 nas sete maiores economias europeias, devido à forte exposição da sua economia aos parceiros, consideraram nesta segunda-feira economistas ouvidos pela Agência Lusa.

A Comissão Europeia publicou hoje as previsões econômicas "intercalares" onde prevê que o crescimento econômico em 2009 será de -4% na União Europeia e zona do euro, uma revisão que mantém os valores estimados nas Previsões Econômicas de Primavera de maio último, mas apontam para que após um início de ano pior do que se esperava, o segundo semestre saia melhor do que se estimava.

"Sendo a zona do euro o principal destino das exportações europeias, este cenário é favorável para a economia portuguesa, já que serão as vendas ao exterior a liderar o crescimento", explicou à Lusa o economista-chefe do Santander Totta, Rui Constantino.

"Os riscos são ainda elevados, como diz a Comissão Europeia, que não adianta qualquer número para 2010, mas da revisão em alta dos valores para o quarto trimestre resulta uma possível revisão em alta, o que afasta o pior cenário que chegou a ser receado no início do ano", salientou.

Na mesma linha, Paula Carvalho, economista do BPI, lembrou que entre as sete maiores economias europeias (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Holanda e Polônia) estão grandes clientes das exportações portuguesas.

"Portugal beneficiará, devido à sua forte exposição a estas economias, de notícias mais positivas relativas ao crescimento destes países", disse Paula Carvalho.

Rui Serra, economista-chefe do Montepio Geral, por sua vez, lembrou que os valores hoje apresentados são de fato "boas notícias" também para Portugal, para que o crescimento de 0,3% do PIB português "não seja apenas uma interrupção das quedas observadas nos três trimestres anteriores, mas algo de sustentável".

"Essa sustentabilidade está, neste momento, bastante dependente da dinâmica da procura externa, atendendo a que o investimento poderá continuar a contribuir negativamente para o crescimento PIB e que o consumo privado deverá manter-se pressionado, no quadro de um elevado endividamento das famílias e do aumento do desemprego", disse.

Também Filipe Garcia, economista da IMF - Informação de Mercados Financeiros, lembrou os principais parceiros de Portugal são europeus e da zona do euro, e "qualquer boa notícia para estes países é positiva para Portugal".

Para o economista, a recuperação dos principais parceiros europeus colocará, no entanto, alguns riscos: com a recuperação das economias torna-se cada vez menos necessária a adoção de estímulos estatais, mas é preciso ter atenção que "lá para final de 2010 regressará a pouca tolerância a défices elevados", uma situação a que Portugal deverá estar atento.

Por outro lado, disse à Lusa, "se a retomada se começar a dar nos países europeus, significa que lá para o final de 2010 começaremos a ver em Portugal as taxas de juro a subir, numa economia ainda não recuperada, o que penalizará as famílias que durante 2009 viram algum alívio no seu rendimento disponível".
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